2º Turno – A caça aos votos dos ausentes

Mais de 33 milhões não votaram, abrindo uma frente de mobilização para as duas campanhas.

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O eleitor que ficou em casa no primeiro turno pode ajudar a decidir quem chegará ao Palácio do Planalto. Com 33,4 milhões de ausentes, segundo os dados do TSE, Lula e Flávio Bolsonaro terão de disputar também a atenção de quem não foi às urnas.

A abstenção de 21,08% – a maior já vista em um primeiro turno – dimensiona esse universo, mas esconde situações diferentes. Para quem enfrentou dificuldades de deslocamento, facilitar o acesso pode fazer diferença. O desafio mais complexo é alcançar quem decidiu não votar por desinteresse, desilusão ou falta de identificação com os candidatos.

Por que esse eleitor mudaria de atitude no segundo turno? A simples repetição de discursos e ataques pode não bastar. As campanhas precisarão mostrar o que está em jogo na vida das pessoas, com propostas compreensíveis sobre renda, emprego, segurança e serviços públicos — e razões para acreditar que serão cumpridas.

Para quem perdeu a confiança na política, promessas podem soar como mais do mesmo. Convencê-lo exigirá explicar como seu voto pode influenciar uma decisão que afetará sua vida, mesmo que nenhum dos candidatos corresponda inteiramente às suas expectativas.

O desafio ganha peso para Lula diante da possibilidade de Flávio receber votos de Ronaldo Caiado, Renan Santos, Romeu Zema e de parte dos eleitores de Alberto Cury. Se essa tendência se confirmar, o presidente precisará ampliar sua base.

A transferência, porém, não é automática, e Flávio também terá motivos para buscar os ausentes. Num país dividido, com perspectiva de disputa apertada, esse público pode pesar no resultado. Para alcançá-lo, os dois terão de responder a uma pergunta anterior à escolha do candidato: por que vale a pena votar?