Sem aumento do IOF: Haddad fala em estabilização natural do Dólar

Ministro ressalta influência externa na flutuação cambial e garante foco no Orçamento de 2025.
Ministro Fernando Haddad

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Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afastou nesta segunda-feira (6) a possibilidade de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como medida para conter a alta do dólar. Segundo o ministro, o câmbio está passando por um processo de acomodação natural, reflexo de movimentos globais ocorridos no fim de 2024.

“Não existe discussão sobre elevação de impostos com esse objetivo”, afirmou Haddad. Ele destacou que as flutuações no mercado cambial são comuns em contextos de transição econômica, mas não há intenção do governo de alterar o regime cambial brasileiro, que segue o modelo de câmbio flutuante com intervenções pontuais do Banco Central para evitar disfunções.

Acomodação do câmbio e fatores externos

De acordo com Haddad, o mercado externo tem influenciado a estabilização da moeda. Declarações do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizaram o tom de algumas propostas feitas durante a campanha eleitoral, contribuindo para reduzir tensões no mercado financeiro global.

“No fim do ano passado, vimos um estresse nos mercados internacionais, e isso se refletiu aqui também. Mas, neste início de ano, há uma acomodação natural do câmbio”, explicou o ministro.

Reforma tributária e prioridades do governo

Outro ponto destacado por Haddad foi a continuidade da reforma tributária. A segunda fase, que trata de mudanças no Imposto de Renda, está programada para 2025. A proposta inclui a ampliação da faixa de isenção para R$ 5 mil e a implementação de uma alíquota sobre rendimentos acima de R$ 50 mil. No entanto, o envio do texto ao Congresso depende da aprovação do Orçamento de 2025 e da definição das lideranças no Legislativo.

“Nossa prioridade agora é o Orçamento. A reforma tributária é uma pauta importante, mas sua discussão será realizada no próximo ano”, esclareceu Haddad.

O ministro ainda mencionou ajustes nos modelos estatísticos da Receita Federal, que têm atrasado o avanço da reforma do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Dados revisados pela Receita serão apresentados à Fazenda para garantir maior precisão nos cálculos e embasar as próximas etapas do projeto.

Base fiscal e confiança econômica

Haddad enfatizou que o governo está focado na recomposição da base fiscal brasileira, com propostas sendo analisadas pelo Congresso Nacional. Essa estratégia, segundo o ministro, visa reforçar a confiança dos mercados na solidez econômica do país, sem recorrer a medidas extraordinárias como aumento de impostos.

A posição do ministro reflete a busca por equilíbrio entre controle fiscal e estabilidade econômica, em meio a um cenário internacional de incertezas e pressões cambiais.

 

(Com informações da Agência Brasil)