Tasso Jereissati rompe o silêncio e reafirma oposição: “Sem benesses, sem barganhas”

Em vídeo nas redes, ex-senador critica acomodações políticas e defende coerência da legenda em meio à reconfiguração da oposição no Ceará.

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Foto: Reprodução de Vídeo

Em meio a um cenário de reconfiguração na oposição cearense, o ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) reapareceu com um pronunciamento contundente nas redes sociais. Em vídeo publicado pelo diretório estadual do partido, Tasso reafirmou que o PSDB seguirá na oposição, tanto no Ceará quanto no cenário nacional, e rejeitou a possibilidade de compor com governos em troca de vantagens.

“O povo nos colocou na oposição e nós nunca trocaremos a nossa situação por cargos ou benesses de governo”, declarou.

A fala ganha peso no momento em que oposicionistas cearenses se articulam em novas alianças. A recente filiação do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao União Brasil — sigla presidida no Ceará por Capitão Wagner — é um dos movimentos que reacendem o debate sobre os rumos da oposição no estado. Ambos, Wagner e Roberto Cláudio, já tiveram o apoio de Tasso em disputas anteriores, ainda que em contextos distintos.

No pronunciamento, Tasso também buscou resgatar a memória das gestões tucanas, citando o controle da inflação no governo Fernando Henrique Cardoso e as mudanças que implementou no Executivo cearense.

“No plano nacional, acabamos com a inflação e criamos o Plano Real. No Ceará, uma administração revolucionária, acabando os vícios da antiga política”, lembrou.

O PSDB estadual endossou o tom adotado por Tasso, defendendo o papel histórico da legenda na construção de políticas públicas e na modernização da gestão.

“Esse legado não será apagado por conveniências políticas, benesses ou acomodações em cargos de governo”, afirma a nota publicada pelo partido. Segundo o texto, a decisão de se manter na oposição é um compromisso com a coerência e a responsabilidade.

No plano nacional, o PSDB também atravessa um momento de transição, com articulações para a fusão com o Podemos. O processo de união das duas siglas traz, entre outros desafios, a definição de quem comandará o novo partido no Ceará. Atualmente, o Podemos está sob liderança do ex-prefeito de Aracati, Bismarck Maia, aliado do governo Elmano de Freitas. Já os tucanos defendem a manutenção de Tasso Jereissati no comando, algo que já acontece desde 1989, quando ele e seu grupo se filiaram.

A fusão é vista como uma resposta à perda de protagonismo do PSDB nos últimos anos, após décadas de influência nacional. Agora, diante das novas composições políticas no Ceará e da disputa interna por espaços, o pronunciamento de Tasso busca marcar posição: oposição com princípios mas sem concessões.