Rochas ornamentais impulsionam exportações do Ceará e projetam novo ciclo econômico

Com alta de 127% até maio, setor ganha destaque internacional e reforça papel do interior nas vendas externas do estado.

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Foto: Divulgação

As rochas ornamentais ganharam protagonismo na pauta de exportações do Ceará em 2025. Dados do Centro Internacional de Negócios (CIN), da FIEC, mostram que, de janeiro a maio, as vendas externas do setor somaram US$ 32,4 milhões — mais do que o dobro do mesmo período do ano anterior (US$ 14,3 milhões). A alta de 126,9% posiciona o estado como o terceiro maior exportador nacional do segmento, atrás apenas de Espírito Santo e Minas Gerais.

“O Ceará é destaque na exportação de rochas ornamentais, principalmente daquelas ricas em sílica. Além disso, temos rochas exclusivas no estado, o que torna o Ceará globalmente competitivo”, afirma a gerente do CIN, Karina Frota.

O desempenho reforça a maturidade de uma cadeia produtiva que vem ganhando corpo, especialmente no interior cearense. Municípios como Uruoca, Caucaia e Santa Quitéria lideram as exportações. Juntos, responderam por cerca de metade do valor exportado no período, puxados principalmente pela venda de quartzito — material que representa 69% do total exportado pelo estado, com US$ 22,3 milhões em embarques.

A Itália foi o principal destino das rochas cearenses, seguida pelos Estados Unidos e pela China. Este último, inclusive, teve o maior salto proporcional nas compras, com crescimento de 175%. A valorização global dos materiais naturais e a exclusividade de algumas jazidas cearenses explicam, em parte, o apetite estrangeiro.

Entre os destaques está o Quartzito Taj Mahal, produzido com exclusividade pela Vermont Mineração e apontado por representantes do setor como o mais cobiçado do mercado internacional atualmente. Outros materiais cearenses, como Perla Venata e Matira, também vêm conquistando espaço, elevando o estado à condição de nova fronteira de produção de pedras naturais no país.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos do Estado do Ceará (SIMAGRAN), Carlos Rubens Alencar, vê um horizonte ainda mais otimista. Segundo ele, o volume exportado até maio já representa quase 75% de todo o valor registrado no ano passado, quando as vendas somaram US$ 43,3 milhões. E com novos embarques programados, a expectativa é que 2025 encerre com recorde histórico.

“Nesta quinta-feira, 12 de junho, mais 9,3 mil toneladas de rochas estão sendo enviadas para a Itália. Com esse volume adicional, é possível que, até julho, o Ceará iguale ou até ultrapasse as exportações de todo o ano de 2024”, comemora.

A ampliação do parque produtivo também se reflete na expansão territorial do setor. Regiões como São Gonçalo do Amarante, Banabuiú, Itaitinga e Icó surgem como polos promissores na extração de rochas chamadas “superexóticas”, abrindo caminho para mais empregos e renda na zona rural.

Apesar dos números positivos, o setor ainda enfrenta o desafio da verticalização. A produção primária responde por grande parte das exportações, o que limita o valor agregado e os efeitos multiplicadores sobre a economia local.

“Com uma política de incentivo à instalação de indústrias de beneficiamento, o Ceará poderá deixar de ser um exportador de commodities e passar a vender produtos acabados, ampliando os efeitos multiplicadores desse setor na economia local”, avalia Carlos Rubens Alencar.

Com um mix de exclusividade geológica, demanda aquecida e capacidade produtiva crescente, o Ceará firma-se como um player relevante no mercado internacional de revestimentos. A pedra bruta, ao que tudo indica, já começa a se transformar em motor polido de desenvolvimento.