Fortaleza recebe, a partir desta segunda-feira (15), dois encontros que colocam o semiárido no centro do debate climático mundial: a 3ª Conferência Internacional sobre Clima e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid 2025) e a COP Nordeste. Os eventos, que reúnem representantes de mais de 80 países, antecedem a COP30, marcada para Belém no próximo ano.
Na abertura, realizada no Centro de Eventos do Ceará, o governador Elmano de Freitas destacou o compromisso do estado com a cooperação internacional e a sustentabilidade.
“O semiárido, ao longo da história, transformou os desafios da seca em oportunidades de inovação e desenvolvimento sustentável”, afirmou.
O encontro busca dar voz a 2,4 bilhões de pessoas que vivem em regiões secas. Para Antônio Rocha Magalhães, diretor da conferência e referência mundial no combate à desertificação, o evento é um espaço para discutir impactos, adaptação, mitigação e soluções sustentáveis para áreas vulneráveis.

A programação, que segue até sexta-feira (19), inclui plenárias e painéis sobre gestão hídrica, financiamento verde, educação climática, cooperação internacional e políticas públicas para territórios afetados pela escassez de água. Pesquisadores, gestores, representantes de organismos internacionais, universidades, setor produtivo e sociedade civil participam dos debates.
Autoridades como Inácio Arruda (MCTI) e Sandra Monteiro (Secitece) reforçaram a importância de incluir a Caatinga e o semiárido nos compromissos climáticos globais, ao lado da Amazônia. O presidente da Funceme, Eduardo Rodrigues, lembrou que o Ceará já havia sediado outras edições da Icid e segue como protagonista nessas discussões.
Dentro da agenda, a COP Nordeste reunirá governadores, sociedade civil e setor privado para formular propostas conjuntas de enfrentamento às mudanças climáticas, com destaque para financiamento climático, justiça ambiental e valorização da bioeconomia.
A conferência também dá visibilidade ao potencial da região em energias renováveis — solar, eólica e hidrogênio verde — além de compartilhar experiências de manejo sustentável da Caatinga, como projetos da Fundação Araripe.
Com cerca de 2 mil participantes esperados, o encontro busca consolidar a mensagem de que o futuro climático depende tanto das florestas quanto das terras secas, onde milhões de pessoas enfrentam os efeitos diretos das mudanças globais.




