O governador Elmano de Freitas tratou com tom sereno e conciliador as críticas feitas pelo ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes, que, em uma série de entrevistas concedidas neste início de ano a emissoras de rádio e podcasts locais, questionou o alinhamento político do chefe do Executivo estadual com o atual prefeito Oscar Rodrigues e com o deputado federal Moses Rodrigues, ambos do União Brasil.
Ao comentar o assunto, Elmano reconheceu que divergências fazem parte da dinâmica política, sobretudo em realidades locais complexas como a de Sobral. “Nós vamos ter que dialogar com todos. Insatisfações existem em muitas realidades locais”, afirmou, ao lembrar que há municípios onde governo e oposição caminham juntos em diferentes frentes.
O governador fez questão de contextualizar sua atuação no último pleito municipal, rebatendo a narrativa de neutralidade. “A minha participação em Sobral foi muito clara, tendo lado”, disse, ao lembrar que esteve presente na abertura e no encerramento da campanha de Izolda Cela, a candidata de Ivo. Ao mesmo tempo, explicou que a relação construída com Moses e Oscar abriu espaço para uma aliança política mais ampla, inclusive com a declaração pública de apoio do deputado federal à sua pré-candidatura à reeleição.
Segundo Elmano, esse movimento não foi isolado nem improvisado. “Quando fiz a conversa com o deputado Moses, isso ocorreu após reuniões com o senador Cid”, destacou, reforçando que decisões dessa natureza são tomadas de forma dialogada, envolvendo diferentes lideranças do campo aliado, como o próprio Cid Gomes, Eunício Oliveira e Domingos Filho.
Sem minimizar o incômodo de Ivo Gomes, o governador demonstrou compreensão pessoal e política. “Eu não posso não entender que o ex-prefeito Ivo tenha algum grau de chateação ao ver a minha liderança ao lado de quem ele disputou. Faz parte”, afirmou. Para ilustrar, recorreu à própria experiência: lembrou que, no passado, foi oposição ao então prefeito Roberto Cláudio, mesmo quando o então governador Camilo Santana mantinha relação política com ele. “Eu não deixei de apoiar o Camilo por isso”, ponderou.
As declarações de Elmano se inserem em um contexto claramente pré-eleitoral. O governador é pré-candidato à reeleição em 2026 e o cenário aponta, como possível adversário, o ex-governador Ciro Gomes, irmão mais velho de Ivo. Nesse ambiente, as críticas do ex-prefeito de Sobral ganham peso estratégico, ainda que não representem um rompimento definitivo.
O próprio Ivo deixou essa porta aberta ao afirmar recentemente: “Eu me sinto descompromissado de apoiar o Elmano, mas não quer dizer que não possa apoiá-lo mais à frente. Isso será decidido no momento certo”.
Diante disso, Elmano reforça que o caminho para superar divergências passa pelo diálogo. “Se há insatisfação, nossa obrigação é sentar, conversar, ouvir”, resumiu. A postura indica que, apesar das tensões naturais do período pré-eleitoral, o governador aposta na construção política paciente e na manutenção de pontes — inclusive em Sobral, um dos principais tabuleiros da política cearense.




