A Câmara entre a cidade e as urnas

Retomada dos trabalhos expõe o desafio de preservar a agenda de Fortaleza durante a campanha.

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“A população espera de nós mais do que discursos acalorados.” A frase de Leo Couto, na retomada dos trabalhos da Câmara de Fortaleza, resumiu bem o desafio que se impõe neste segundo semestre: evitar que a campanha eleitoral transforme o plenário em palanque permanente.

O apelo por equilíbrio, respeito e maturidade política tem razão de ser. Parte dos vereadores estará diretamente envolvida na eleição de outubro, o que naturalmente deve elevar a temperatura dos debates. O confronto faz parte da política. O compromisso com a cidade, porém, não pode ser deixado de lado.

Ao destacar as quase 10 mil proposições apresentadas no primeiro semestre, Leo ressaltou a produtividade da Casa e a parceria com a gestão de Evandro Leitão. Mas números, sozinhos, dizem pouco. O trabalho dos vereadores será avaliado pela qualidade dos projetos, pela fiscalização do Executivo e, sobretudo, pelos resultados que chegarem à população. Como lembrou o presidente, cabe à Câmara “legislar, fiscalizar e sugerir pautas”.

Leo Couto: “Legislar, fiscalizar e sugerir pautas”

 

A ampliação do Passe Livre Estudantil, a futura transferência da sede do Legislativo para o Centro e a criação do Parla, Jovem! aparecem entre as principais marcas da legislatura. São iniciativas relevantes, desde que acompanhadas de perto para não se tornarem apenas boas vitrines institucionais.

Marcada para 10 de agosto, a nova edição do Parla, Jovem! reforça a tentativa de aproximar os estudantes da política. Abrir espaço para ouvir a juventude é importante. O verdadeiro teste será fazer com que suas propostas encontrem lugar nas decisões da cidade.

Em um semestre no qual a eleição tende a ocupar quase todos os espaços, a Câmara de Fortaleza terá de mostrar que consegue enxergar além das urnas. No fim das contas, esse foi o recado mais importante deixado por Leo Couto.