A escolha de Eduardo Girão para vice de Romeu Zema vai além da disputa presidencial. Ao trocar a corrida pelo Governo do Ceará pela chapa nacional do Novo, o senador abre um espaço importante no campo da oposição.
O primeiro efeito é tornar a eleição estadual mais concentrada entre Elmano de Freitas e Ciro Gomes. Girão aparecia em terceiro lugar nas pesquisas e representava uma alternativa competitiva. Sem ele, diminui a dispersão dos votos e cresce a possibilidade de a disputa terminar no primeiro turno — embora ainda seja cedo para tratar esse desfecho como certo.
Antes de optar pelo senador, o Novo tentou uma composição com o Democracia Cristã para a vice de Zema, mas as conversas não avançaram. Prevaleceu Girão, parlamentar desde 2019, ligado às pautas conservadoras e conhecido pelas críticas ao Supremo Tribunal Federal.
Ao aceitar o convite, o cearense definiu a decisão como “uma missão existencial”. Para Zema, pesaram a trajetória política e a imagem de “ficha limpa” do senador.
A chapa formada apenas por nomes do Novo tenta se apresentar como alternativa à polarização nacional. No Ceará, curiosamente, pode produzir o efeito contrário: estreitar a disputa em torno de dois candidatos.
Isso não significa que os votos de Girão migrarão automaticamente para Ciro ou Elmano. Significa apenas que uma opção relevante saiu da urna. Agora, resta saber se o Novo lançará outro nome ao Palácio da Abolição ou concentrará seus esforços no projeto presidencial.
A resposta mostrará se o tabuleiro cearense ficou apenas mais enxuto — ou definitivamente polarizado.




