Ceará assume protagonismo em debate global sobre dados e políticas públicas

Mais de 30 países estão representados no Triplo Fórum Internacional de Governança do Sul Global, que acontece em Fortaleza.

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Fotos: Helene Santos e Larissa Falcão

Fortaleza recebe esta semana o Triplo Fórum Internacional de Governança do Sul Global, evento que reúne representantes de mais de 30 países para discutir como a produção e a integração de dados podem melhorar a formulação de políticas públicas. A abertura foi nesta quarta-feira (11), no Centro de Eventos do Ceará, com presença do governador Elmano de Freitas e de autoridades do Brasil e do exterior.

A iniciativa, liderada pelo IBGE em parceria com o Governo do Estado, por meio da Seplag e do Ipece, marca a retomada do Ceará como espaço de encontros estratégicos internacionais — uma posição já destacada em 2014, quando Fortaleza sediou a cúpula dos BRICS.

Ao discursar na cerimônia de abertura, Elmano defendeu que o uso inteligente dos dados é condição básica para que as políticas públicas cheguem a quem mais precisa. Ele mencionou o programa Ceará Sem Fome como exemplo de ação sustentada por evidências, e revelou que, nos últimos dois anos, 624 mil cearenses saíram da pobreza extrema ou da pobreza.

No entanto, o governador também reconheceu os limites atuais da gestão pública no país.

“Temos dados sólidos em áreas como saúde, educação e assistência social, mas esses sistemas ainda não dialogam entre si. Precisamos integrar essas bases para tomar decisões mais eficazes.”

Elmano: “Decisões mais eficazes”

O Fórum discute justamente esse desafio: como transformar a abundância de dados públicos — muitas vezes isolados — em conhecimento aplicado. A expectativa é que o Ceará se torne sede permanente do evento e ainda receba o projeto-piloto de um novo sistema nacional de dados estatísticos e geocientíficos, com coordenação do IBGE e colaboração do Ipece.

Para o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, a escolha do Ceará se justifica pelo protagonismo do estado em agendas que envolvem desenvolvimento e governança. Ele destacou ainda que os países do Sul Global — tema central do evento — já representam dois terços do PIB mundial, e precisam de indicadores que reflitam suas realidades específicas.

Pochmann: “Este momento de reflexão será um marco do ponto de vista de como nós olhamos o mundo, as políticas públicas, de maneira geral, e como elas são constituídas a partir de uma realidade observada”

Além das mesas técnicas e palestras, o Fórum também aposta na formação de novas gerações. Mais de 500 estudantes participam da programação, e está em estudo a criação de uma unidade da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) em Fortaleza, o que poderia ampliar a formação de gestores públicos em áreas como ciência de dados, inteligência artificial e big data.

A programação do Fórum segue até sexta-feira (13), com debates que vão desde a criação de indicadores ambientais até o uso de dados preditivos na formulação de políticas sociais. Participam delegações de países como China, Rússia, Angola, África do Sul, Egito, Indonésia, Colômbia e Moçambique.