Fotos: Thiago Gaspar
O Ceará tem potencial para retomar seu lugar como um dos principais produtores de algodão do Brasil. A afirmação foi feita pelo governador Elmano de Freitas durante a abertura do 14º Congresso Brasileiro do Algodão, em Fortaleza. Em seu discurso, Elmano destacou as condições estratégicas do estado, tanto em termos de infraestrutura quanto de clima, que podem viabilizar essa retomada de forma sustentável e competitiva.
O Ceará já teve um papel importante na cotonicultura, mas, como outros estados do Brasil, enfrentou um duro golpe com a infestação do bicudo-do-algodoeiro nos anos 1980, que devastou as plantações. Nas décadas seguintes, o Brasil conseguiu recuperar a produção de algodão em diversas regiões, com investimentos em tecnologia e inovação. Hoje, o país se consolidou como o maior exportador de algodão do mundo. Para o governador, esse é o momento ideal para o Ceará voltar a ser um protagonista no setor, aproveitando as novas oportunidades geradas pelo crescimento global da demanda por algodão.
“Temos vantagens competitivas como a tecnologia, para que algumas regiões se tornem produtoras no patamar que temos no País, além do sol e solo. Teremos uma ferrovia [Transnordestina] que será concluída daqui a dois anos. Temos um dos portos mais modernos do País [Porto do Pecém] para exportação, com localização estratégica”, pontuou Elmano.
Essa infraestrutura, segundo o governador, permitirá que o algodão produzido no Ceará chegue com mais rapidez e eficiência a mercados internacionais, como os Estados Unidos e a Europa. Além disso, o clima semiárido do estado, com alta incidência de sol, oferece condições ideais para o cultivo do algodão.

O evento, que contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e de outras autoridades do setor, também serviu para reafirmar o compromisso do governo estadual com o desenvolvimento sustentável da cotonicultura. O governador destacou que o estado tem mantido regras claras e estáveis para incentivos fiscais, o que oferece segurança para investidores e produtores que desejam apostar no setor.
“Nós temos um conselho que avalia os pedidos de incentivos, sabendo que os incentivos têm um prazo pela Reforma Tributária até 2032. Mas estamos preparando estudos sobre a migração do atual modelo de incentivo para o novo modelo, que é o do Fundo de Desenvolvimento Regional [aprovado na Reforma Tributária]”, concluiu.
Outro ponto levantado por Elmano foi o papel da indústria têxtil cearense, que, segundo ele, pode ser uma grande consumidora da produção local de algodão. A integração entre a produção agrícola e a indústria têxtil é vista como uma oportunidade para fortalecer a economia interna, gerando empregos e ampliando a competitividade do estado no cenário nacional e internacional.
Com a assinatura do termo de reconhecimento do selo Algodão Brasileiro Responsável (ABR) pelo ministro Carlos Fávaro, o congresso também trouxe à tona a importância das boas práticas no cultivo do algodão, especialmente em relação à sustentabilidade ambiental e ao respeito às normas trabalhistas. O incentivo governamental, que inclui a redução de juros para os produtores que adotam essas práticas, reforça o compromisso do setor com um desenvolvimento mais sustentável.
O retorno do Ceará à produção em grande escala de algodão, se concretizado, será mais um capítulo importante na história da agricultura do estado. Para Elmano de Freitas, essa retomada depende de parcerias estratégicas e de uma visão de longo prazo, que considere tanto as oportunidades de mercado quanto os desafios ambientais e econômicos.




