Com apoio de Alckmin, Elmano tenta destravar projeto bilionário da Fortescue no Pecém

Entraves técnicos e regulatórios ainda dificultam avanço definitivo do hub de hidrogênio verde no Ceará.
Foto: Reprodução

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Foto: Andrew Forrest, Geraldo Alckmin e Elmano de Freitas (Reprodução/Instagram)

Em nova articulação para destravar investimentos no Complexo do Pecém, o governador Elmano de Freitas (PT) se reuniu na última quarta-feira (18) com o CEO global da Fortescue, Andrew Forrest, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. A pauta do encontro foi o projeto de hidrogênio verde (H2V) da empresa australiana, que prevê aporte de R$ 18 bilhões e geração de mais de 8.900 empregos.

O projeto, ainda em fase de pré-contrato, é um dos sete já assinados com o Governo do Ceará para instalação na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Estado. A proposta da Fortescue prevê produção diária de 837 toneladas de hidrogênio verde, com consumo estimado de 2.100 MW de energia renovável — a ser dividida em duas fases. A expectativa é que a decisão final de investimento ocorra até 2026, com início das operações no fim de 2027.

“Seguimos trabalhando para tornar o Ceará um verdadeiro hub internacional de H2V”, escreveu o governador em publicação nas redes sociais. Ele destacou ainda que os projetos em curso, somados, representam uma expectativa de R$ 131 bilhões em investimentos e até 80 mil novos empregos, diretos e indiretos.

A reunião também teve como foco a tentativa de superar entraves técnicos e regulatórios, como a conexão dos projetos à rede elétrica nacional — ponto que sofreu veto do Operador Nacional do Sistema (ONS) neste ano, afetando diretamente a viabilidade do cronograma.

A Fortescue foi a primeira companhia a firmar intenção de investimento em hidrogênio verde no Ceará, e mantém o Estado como peça estratégica em seu plano global de descarbonização, que inclui projetos em países como Austrália, Marrocos, Argentina e Estados Unidos.

O hidrogênio verde é produzido a partir da eletrólise da água, com uso de fontes renováveis como energia solar e eólica, sem emissão de carbono. Considerado combustível-chave na transição energética, seu uso abrange desde a indústria pesada até transporte aéreo, marítimo e terrestre.

Apesar dos avanços e do protagonismo cearense, nenhum dos projetos em tramitação atingiu ainda a chamada decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês). A consolidação do mercado de H2V no Brasil ainda enfrenta desafios regulatórios e de infraestrutura, exigindo forte articulação entre governos, empresas e instituições do setor energético.

O encontro com Andrew Forrest, no entanto, reforça a aposta de longo prazo na economia de baixo carbono. O Ceará busca transformar sua localização geográfica privilegiada — com vento, sol e porto estruturado — em ativo geopolítico e diferencial competitivo para a nova matriz energética global.