A oficialização da pré-candidatura do governador Elmano de Freitas à reeleição marcou, neste sábado (23), o início mais explícito de sua entrada no embate político de 2026. Até aqui concentrado no discurso administrativo e nas agendas de governo, o petista sinalizou que pretende participar diretamente da disputa narrativa contra a oposição, especialmente contra o ex-ministro Ciro Gomes, lançado recentemente pelo PSDB como pré-candidato ao Governo do Ceará.
Durante reunião do diretório estadual do PT Ceará e na inauguração da nova sede da sigla, Elmano adotou um tom mais combativo ao afirmar que “o PSDB quer voltar, (mas) não vai não”. Em outro momento, destacou que a oposição vinha priorizando o debate eleitoral enquanto sua gestão estaria focada em obras e serviços públicos. “Agora a oposição se prepare, que agora entra em campo a militância do PT”, afirmou.
O encontro reuniu lideranças como o ministro José Guimarães, o senador Camilo Santana, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, além de parlamentares e dirigentes partidários. A decisão pela pré-candidatura foi aprovada por unanimidade e será encaminhada à Executiva Nacional do partido.
No discurso, Elmano também respondeu a críticas de Ciro Gomes e relembrou gestões anteriores do PSDB no Ceará, além de citar temas ligados à saúde pública e políticas para mulheres. O governador mencionou ainda a condenação judicial envolvendo declarações de Ciro contra a prefeita de Crateús, Janaína Farias.
“Nós estamos criando seis Casas da Mulher Cearense. O meu adversário foi condenado por violência de gênero contra as mulheres no estado do Ceará. É essa a diferença que nós temos”, disse.
Apesar da definição do cabeça de chapa, a composição da aliança governista segue em aberto. Elmano confirmou conversas com aliados como o senador Cid Gomes (PSB), dirigentes do PSD, MDB e Republicanos. Entre os nomes cotados para a vice-governadoria está a deputada federal Fernanda Pessoa. Já as vagas para o Senado seguem no centro das negociações entre partidos aliados.
O movimento deste sábado mostra que, além da estrutura administrativa e das alianças políticas, a base governista deve apostar também na mobilização partidária e no enfrentamento direto ao discurso da oposição durante a campanha.




