Foto: Junior Pio/Alece
O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Evandro Leitão, confirmou sua saída do PDT, após 14 anos de filiação. Apesar de ter recebido a carta de anuência para desfiliação do diretório estadual, a Executiva Nacional do PDT pretende contestar judicialmente essa decisão. Em seu discurso na Alece, Leitão agradeceu aos colegas do partido, citando nomes como Cid Gomes e André Figueiredo, mas também apontou a perseguição vivida desde a campanha eleitoral de 2022.
Apesar de ter sido um dos pré-candidatos do PDT ao Governo do Ceará, Leitão retirou sua candidatura para apoiar a então governadora Izolda Cela, a fim de evitar divisões internas. Contudo, o ex-prefeito Roberto Cláudio venceu a disputa interna e se tornou o candidato oficial, alcançando o terceiro lugar na corrida eleitoral.
Evandro Leitão sublinhou que não recebeu financiamento do PDT para sua própria campanha, apesar de ser presidente do Poder Legislativo e ter chances de reeleição. Ele mencionou que enfrentou diversas representações na Justiça Eleitoral, incluindo de membros do próprio partido. Diante da persistência dessa situação após as eleições, Leitão tomou a decisão de deixar o PDT.
Enquanto a questão enfrenta possíveis implicações legais, o presidente da Alece está em processo de desfiliação e afirmou estar tranquilo com sua escolha. A desfiliação marca o fim de um longo período de filiação ao partido, mas também destaca as tensões internas e desafios enfrentados durante a recente trajetória política de Evandro Leitão.
O presidente da Assembleia é um dos nomes cogitados para representar o grupo liderado pelo ministro Camilo Santana e o governador Elmano de Freitas, ambos do PT, como candidato a prefeito, em 2024. Evandro tem convites para se filiar ao próprio PT, PSB, Republicanos e MDB.
Durante o anúncio da desfiliação do PDT, Evandro recebeu a solidariedade de boa parte de deputados de vários partidos, da base governista e até da oposição. Isso inclui colegas do próprio PDT. Leitão, no entanto, ainda não disse para onde vai.
BATALHA JUDICIAL
A Direção Nacional do PDT, desde sexta-feira, logo após o anúncio da carta de anuência concedida a Evandro pelo Diretório Estadual, anunciou que a decisão era ilegal e seria contestada. Nesta terça-feira, logo após o discurso de Evandro na Assembleia, a Executiva Nacional, através do advogado Alisson Emmanuel de Oliveira Lucena, deu entrada na Justiça cearense em um pedido de Tutela Cautelar Antecedente.
O juiz Cid Peixoto do Amaral Neto, titular da 3ª Vara da Comarca de Fortaleza, indeferiu o pedido de tutela antecipada em caráter antecedente feito pelo Diretório Nacional do PDT. O processo envolveu o partido e o Diretório Regional do PDT no Ceará, além de Evandro Sá Barreto Leitão. O pedido se referia à carta de anuência concedida pelo Diretório Regional a Leitão para sua desfiliação do partido e posterior filiação a outra legenda sem perda do mandato.
O Diretório Nacional alegou falta de conhecimento formal sobre a deliberação e alegou que, segundo o estatuto do partido, as cartas de anuência só podem ser concedidas após aprovação do Órgão Nacional, o que não ocorreu no caso. O juiz considerou que os requisitos para a concessão da tutela antecipada antecedente não foram cumpridos, pois não havia urgência contemporânea à propositura da ação. Além disso, afirmou que as notícias da imprensa não constituíam documentos formais.
O magistrado também destacou que o promovente não demonstrou o dano que o partido nacional sofreria, já que o diretório estadual anuiu com a saída de Leitão. O juiz concedeu prazo de 5 dias para que a parte autora emende a petição inicial, sob pena de indeferimento da ação e extinção do processo. Em resumo, a decisão negou a tutela antecipada requerida pelo Diretório Nacional do PDT devido à ausência de urgência e à falta de demonstração do dano alegado.
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