IJF inicia protocolo pioneiro para acolher pacientes com autismo em ambiente hospitalar

A proposta é transformar a experiência hospitalar para crianças e adolescentes com autismo, oferecendo um acolhimento mais sensível às suas necessidades, desde a triagem até a alta.

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Foto: Marcos Moura

Profissionais do Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, estão passando por um processo de capacitação específico para melhorar o atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A ação integra o projeto Capacita Girassol, iniciativa da Prefeitura de Fortaleza voltada à formação contínua de servidores das áreas de saúde, educação e assistência social para o cuidado humanizado ao público autista.

O treinamento marca também o início da aplicação de um novo protocolo de atendimento a pacientes com TEA no hospital, que é referência regional em traumas de alta complexidade. A proposta é transformar a experiência hospitalar para crianças e adolescentes com autismo, oferecendo um acolhimento mais sensível às suas necessidades, desde a triagem até a alta.

De acordo com o superintendente do IJF, João Gilberto Macêdo, a urgência hospitalar costuma ser um ambiente hostil para crianças autistas, por conta do barulho, da movimentação intensa e da quebra de rotina.

“O protocolo garante que esse paciente receba, no mínimo, a classificação amarela e seja direcionado a um atendimento multidisciplinar, reduzindo o tempo de internação e proporcionando uma abordagem mais eficaz”, explica.

A médica Samantha Ottoni Adolphsson, que coordenou a elaboração do protocolo, destaca que aproximadamente 30% dos pacientes da enfermaria pediátrica do IJF atualmente são autistas — um dado que acende o alerta para a necessidade de estratégias específicas de cuidado.

“Essas crianças se acidentam mais, por fatores como impulsividade, crises sensoriais e dificuldade de reconhecer riscos. Precisamos de um atendimento com escuta, paciência e adaptação do ambiente hospitalar”, diz.

O protocolo prevê desde a identificação visual dos pacientes com TEA, passando por priorização em exames e cirurgias, até orientações sobre a presença de acompanhantes e o uso de objetos familiares durante o período de internação. A expectativa é que o modelo, construído por equipes multiprofissionais com o apoio do projeto Espaço Girassol, possa ser replicado em outras unidades da rede pública.

Para a secretária municipal da Saúde, Riane Azevedo, o IJF pode cumprir um papel de liderança nesse processo de disseminação.

“O hospital tem capacidade de influenciar outras instituições, inclusive da rede privada. A nossa meta é alcançar toda a rede de saúde da capital com esse padrão de atendimento.”

A capacitação dos profissionais será contínua, conforme reforçou a primeira-dama de Fortaleza, Cristiane Leitão, presente no lançamento da ação.

“Queremos garantir que cada criança ou adolescente com autismo que passe por um equipamento público seja recebido com respeito, cuidado e atenção. Isso começa pela formação dos nossos profissionais.”

O IJF atende casos graves como fraturas, queimaduras, intoxicações e acidentes de trânsito — situações frequentes entre crianças com TEA, que têm maior propensão a se envolver em ocorrências desse tipo. O novo protocolo busca, portanto, não apenas melhorar o atendimento, mas também fortalecer a segurança e os direitos desses pacientes em momentos críticos.

A experiência vivida agora no hospital deve servir como base para futuras iniciativas em policlínicas, postos de saúde e outros espaços da rede, promovendo um cuidado mais inclusivo em toda Fortaleza.