A polêmica em torno das corridas de rua realizadas na Avenida Beira-Mar ganhou novo capítulo após a manifestação do secretário da Regional 2, Márcio Martins, que publicou um vídeo nas redes sociais anunciando mudanças no formato dos eventos para 2026. O secretário defendeu que as competições esportivas sejam separadas dos shows musicais, prática que se tornou frequente e, segundo ele, trouxe impactos negativos.
“Nosso objetivo é traçar o calendário de 2026, e tendo como pauta principal desvincular os eventos de corrida de rua dos shows. Isso não foi benéfico em nenhum momento para quem aprecia a corrida”, afirmou Márcio Martins. Ele destacou que a combinação entre esporte e apresentações artísticas vem gerando incômodo à população, especialmente para quem mora na orla. “A cidade não viu com bons olhos, especificamente na Avenida Beira Mar, com impactos extremamente negativos”, reforçou.
A fala do secretário ecoa um conjunto crescente de reclamações dos moradores da região. As corridas, quase sempre realizadas nas primeiras horas da manhã — por volta das 5h —, contam com locutores que utilizam som em alto volume para animar os participantes. O problema se agravou com o aumento expressivo do calendário: quase todos os fins de semana têm provas, e em algumas ocasiões duas competições ocorrem no mesmo dia.
Além disso, parte dos organizadores passou a incorporar shows aos eventos. Apenas este ano, a Beira-Mar recebeu apresentações de Bell Marques e Zélia Duncan, além de atrações locais. Para moradores, o barulho e a ocupação prolongada do espaço urbano ampliam o desgaste. Para a Prefeitura, a mistura coloca em risco a permanência das provas no local.
“Sob risco das autoridades constituídas acabarem banindo as corridas de rua da Avenida Beira Mar, como foi feito com o Fortal”, alertou o secretário.
Márcio Martins disse que vai iniciar, ainda nesta semana, reuniões com assessorias esportivas e organizadores para definir o novo calendário. O tom é de diálogo, mas com aviso claro:
“Queria que já ficássemos de sobreaviso. A junção dessas atividades não foi benéfica para um setor que tem apoio maciço da população de Fortaleza”.
Com participação crescente de atletas amadores e profissionais, Fortaleza tenta ajustar o equilíbrio entre incentivo ao esporte, respeito ao descanso dos moradores e ordenamento urbano. O debate seguirá nas próximas semanas, até que a Prefeitura chegue à nova proposta para 2026.




