Multidões, imagens e distância calculada

Elmano exibe alianças e vínculo com Lula; Ciro busca mobilização sem abraçar a disputa nacional.

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O primeiro domingo de campanha deixou clara a principal diferença entre os projetos de Elmano de Freitas e Ciro Gomes: enquanto um pretende nacionalizar a disputa, o outro busca manter o debate dentro das fronteiras do Ceará.

Em caminhada pelo Pirambu, Elmano apresentou a chapa completa e reforçou a ligação com o presidente Lula. Não se trata apenas de afinidade política. É uma estratégia eleitoral testada em 2022, quando o petista cresceu durante a campanha e venceu ainda no primeiro turno.

Diante da vantagem de Ciro nas pesquisas recentes, o grupo governista aposta novamente na popularidade de Lula entre os cearenses. A declaração do presidente de que seria “humanamente impossível” Elmano perder a eleição oferece uma amostra do papel que ele deverá desempenhar no palanque estadual.

A outra prioridade é mostrar volume político e popular. Apoiado pela maioria dos prefeitos e parlamentares cearenses, Elmano precisa transformar essa estrutura em imagens de ruas cheias. O primeiro ato já produziu cenas destinadas às redes sociais e, futuramente, à propaganda no rádio e na televisão.

Ciro também procura transmitir força, mas percorre caminho diferente. No Mercado Central, cercado por apoiadores e integrantes da chapa, concentrou as críticas na administração estadual, especialmente na saúde, e evitou qualquer discussão sobre a eleição presidencial.

Ao ser perguntado sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, preferiu fechar a boca — literalmente. Também respondeu “nada” quando provocado a comentar a fala do presidente em favor de Elmano. O silêncio, nesse caso, parece cuidadosamente calculado.

Mesmo aliado ao PL e tendo Alcides Fernandes na chapa, Ciro tenta manter distância da candidatura bolsonarista ao Planalto. Ao mesmo tempo, reduz o confronto direto com Lula, a quem vinha dirigindo críticas duras antes da campanha.

As duas coligações, portanto, largam com apostas opostas. Elmano quer trazer Brasília para o centro da eleição cearense; Ciro pretende deixá-la do lado de fora. Resta saber qual fronteira será respeitada pelo eleitor.