A política tem dessas cenas que, à primeira vista, soam contraditórias, mas que, na prática, apenas revelam como funciona o jogo real. O vídeo do prefeito de Massapê, Ozires Pontes (PSDB), ao lado do secretário da Casa Civil, Chagas Vieira, é um exemplo clássico. De um lado, um gestor filiado ao PSDB — partido que abriga Ciro Gomes, crítico duro do PT. Do outro, um dos principais auxiliares do governador Elmano de Freitas (PT). Ainda assim, ambos celebram parcerias, diálogo e portas abertas.
Pode parecer incoerência, mas não é. É o exercício da política pública na veia. Prefeitos, governadores e presidentes, cada um a seu modo, precisam saber transitar, conversar e até elogiar adversários quando o interesse maior é o da população. No plano nacional é igual: o governador Tarcísio de Freitas critica Lula num dia e, no outro, agradece recursos federais para suas obras. Estranho? Apenas para quem observa de fora.
Essa engrenagem tem nome: relação republicana. É quando as disputas partidárias dão lugar às entregas. Quando a prioridade deixa de ser o palanque e passa a ser a cidade, a estrada, o hospital. Se a política com “P” maiúsculo depende disso, que assim continue.




