Fortaleza decidiu tratar o lixo como prova — e não apenas como problema.
Na nova fase da operação “Capital Limpa e Ordenada”, a Agefis passou a usar o chamado “DNA do lixo” para identificar quem insiste em transformar a cidade em depósito irregular.
A estratégia é simples e eficaz: abrir sacos, encontrar pistas e chegar ao responsável. Em apenas 15 dias, 100 pontos foram fiscalizados e 28 autuações aplicadas com base nesse rastreamento. O recado é direto — o anonimato no descarte irregular está com os dias contados.
A operação, concentrada no período noturno, mira justamente o horário em que a irregularidade mais acontece. E vai além da punição pontual: ao cruzar informações, a fiscalização começa a alcançar também grandes geradores e estabelecimentos que adotam práticas reincidentes.
Os números gerais da operação mostram a dimensão do desafio: 599 fiscalizações, 454 autos e 176 flagrantes em duas semanas. Não se trata de um problema pequeno — nem difuso. Tem endereço, rotina e responsáveis.
Mais do que limpar a cidade, a iniciativa tenta mudar comportamento. E aí está o ponto central: sem consciência coletiva, nenhuma política pública dá conta sozinha.
Fortaleza avança ao tratar o lixo como evidência. Agora, o próximo passo é fazer com que ele deixe de ser produzido — ao menos, do jeito errado.




