Aos 300 anos, celebrados nesta segunda-feira, 13 de abril, Fortaleza consolida uma trajetória marcada por expansão urbana, dinamismo econômico e mudanças sociais. Por trás desse avanço, um conjunto de serviços essenciais ajudou a sustentar o desenvolvimento da capital cearense — entre eles, o saneamento básico, que se tornou peça estruturante na organização da cidade.
Desde 1971, a Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) atua na operação dos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário. Ao longo de mais de cinco décadas, a empresa acompanhou o crescimento da capital e enfrentou desafios típicos de uma região marcada por ciclos de seca, exigindo planejamento contínuo e investimentos em infraestrutura hídrica.
Desafios históricos e respostas estruturais
A garantia do abastecimento de água sempre esteve no centro das preocupações. Em períodos críticos — como a seca prolongada entre 2012 e 2019 —, a companhia adotou medidas emergenciais e estruturantes para manter o fornecimento.
Entre as soluções implementadas, destacam-se:
- Captação pressurizada no Açude Gavião, permitindo retirada de água em níveis críticos;
- Ampliação de sistemas de adução e reservação, como o sistema do Taquarão;
- Implantação dos Distritos de Medição e Controle (DMCs), que melhoraram o monitoramento da rede;
- Ações de combate a fraudes e redução de perdas.
Essas iniciativas contribuíram para aumentar a eficiência operacional e minimizar impactos sobre a população em momentos de escassez.
Cobertura ampliada e estrutura consolidada
Atualmente, o sistema de abastecimento de Fortaleza alcança praticamente toda a população. O Índice de Cobertura de Água (ICA) já atinge 99,60%, sustentado por estruturas como as Estações de Tratamento de Água Gavião e Oeste, responsáveis pela produção e distribuição.
No esgotamento sanitário, os avanços também são expressivos. Mais de 73% da cidade já conta com cobertura, índice que segue em expansão. Parte desse avanço está associada à Parceria Público-Privada (PPP) firmada em 2023 entre a Cagece e a Ambiental Ceará.
De acordo com dados da própria operação, a parceria já resultou em:
- Investimentos de cerca de R$ 781 milhões entre 2023 e 2025;
- Impacto direto em mais de 27 mil residências;
- Disponibilidade de conexão à rede para cerca de 100 mil imóveis.
O modelo busca acelerar a universalização do serviço, conforme previsto no novo marco legal do saneamento, além de ampliar eficiência e reduzir impactos ambientais.
Saneamento e qualidade de vida
A expansão da coleta e tratamento de esgoto tem efeitos diretos na saúde pública e na preservação ambiental. A redução da poluição de rios e lagoas urbanas e a melhoria das condições sanitárias refletem no cotidiano da população e no ordenamento da cidade.
Esse processo acompanha a transformação de Fortaleza em um dos principais centros urbanos do país, hoje entre os mais populosos do Brasil.
Perspectivas: segurança hídrica e inovação
Para os próximos anos, o foco está na diversificação das fontes de abastecimento. Um dos projetos em destaque é a Dessal do Ceará, iniciativa que prevê a instalação de uma planta de dessalinização da água do mar.
Com investimento estimado em R$ 3 bilhões, o projeto terá capacidade de produzir 1.000 litros por segundo, beneficiando cerca de 720 mil pessoas. A proposta é criar uma fonte alternativa de abastecimento, especialmente relevante diante das mudanças climáticas e da irregularidade das chuvas no Nordeste.
Infraestrutura invisível, impacto permanente
Ao longo de três séculos, Fortaleza construiu sua história combinando crescimento urbano e adaptação às condições naturais da região. Nesse percurso, o saneamento básico — muitas vezes invisível — se consolidou como um dos principais alicerces da cidade.
Com índices elevados de cobertura de água e expansão contínua do esgoto, o setor segue como elemento central para sustentar o desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida e preparar a capital para os desafios futuros.




