A sessão especial do Senado que marcou os 300 anos de Fortaleza, proposta pelo senador Eduardo Girão (Novo), ganhou um momento especial, carregado de simbolismo. Coube ao ex-vereador Danilo Lopes transformar uma explicação histórica em um manifesto sobre identidade.
Ao relembrar que o nome da Capital nasceu dos antigos fortes — de Santiago à Nossa Senhora da Assunção —, ele foi além da cronologia. “Seria fácil dizer o porquê de Fortaleza”, afirmou, para em seguida dar o tom: “isso foi uma anunciação do nome para quem seria o povo daquela cidade”.
A fala ganhou força ao conectar passado e presente. Das secas históricas aos campos de concentração de retirantes, passando pela ausência de governantes nacionais por séculos, Danilo construiu uma narrativa de resistência. “A fortaleza que é o nosso povo”, resumiu.
No plenário, a homenagem institucional se converteu em afirmação de protagonismo. O crescimento econômico, a presença de equipamentos estratégicos como o ITA e a produção cultural foram citados como frutos de uma trajetória construída “sem a ajuda de ninguém”.
Na mesma linha, a vice-prefeita Gabriella Aguiar reforçou a ideia de um povo que transforma adversidade em potência: “Nossa história foi escrita com o suor dos jangadeiros… e com a coragem de um povo que faz da escassez a sua maior criatividade”.
Ao final, ficou a síntese: mais que referência militar, Fortaleza virou metáfora. Não apenas pelos fortes que a originaram, mas pela capacidade de um povo que insiste em se reinventar.




