A escolha da deputada Larissa Gaspar (PT) para comandar a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará reposiciona o órgão em um momento de maior cobrança por resultados concretos na proteção às mulheres. Criada para atuar como ponte entre o Parlamento e a sociedade, a Procuradoria ganha, nos últimos anos, contornos mais operacionais, deixando de ser apenas institucional para assumir papel ativo na rede de enfrentamento à violência de gênero.
A nova gestão chega com o desafio de transformar estrutura em alcance. A ampliação das competências, formalizada recentemente, aponta para um modelo mais técnico, com uso de dados e articulação interinstitucional. O Observatório da Mulher, por exemplo, surge como ferramenta para qualificar decisões e evitar políticas baseadas apenas na reação a crises.
Outro ponto sensível é a interiorização. Levar o serviço para além da capital significa enfrentar desigualdades regionais no acesso à proteção e à informação. Nesse cenário, iniciativas como o atendimento digital e a expansão das Procuradorias municipais tendem a ser testadas na prática.
Ao assumir, Larissa Gaspar sinaliza uma atuação centrada em acolhimento e escuta. “Nosso objetivo é garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha diante da violência”, afirmou. A fala sintetiza uma expectativa recorrente: transformar canais institucionais em portas efetivas de entrada para quem precisa de apoio.
Mais do que discurso, o desempenho da Procuradoria será medido pela capacidade de resposta e pela articulação com outros poderes. Em um estado onde o tema permanece urgente, a cobrança deve vir na mesma intensidade das promessas.




