Lula amplia pressão por transparência no STF e fala em reforma profunda

Presidente defende apuração de suspeitas, mandatos para ministros e regras mais rígidas para o Judiciário.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, elevou o tom sobre a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master. Em entrevista ao Jornal da Record, nesta terça-feira (15), defendeu que eventuais suspeitas contra integrantes da Corte sejam investigadas, independentemente de quem esteja envolvido.

As declarações ocorreram no mesmo dia em que o Supremo realizou sessão extraordinária para discutir elementos de um relatório da Polícia Federal relacionado a mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Parte delas teria como destinatário o ministro Alexandre de Moraes, mas, até agora, foram recuperadas apenas mensagens enviadas por Vorcaro, sem as respectivas respostas.

O julgamento, porém, não chegou ao mérito das suspeitas. Os ministros discutiram se os casos envolvendo Moraes e André Mendonça deveriam tramitar juntos ou separadamente. A análise foi interrompida por pedido de vista de Flávio Dino, sem definição sobre eventual abertura de inquérito contra Moraes.

Nesse cenário, Lula pediu transparência e a abertura dos sigilos necessários à investigação. “Quem fez o quê na Suprema Corte e quem fez o quê tem que ser punido, tem que ser julgado”, afirmou. O presidente também disse que a instituição precisa preservar sua credibilidade e servir de referência para a sociedade.

Lula criticou ainda a condução dada por André Mendonça a informações mantidas sob sigilo no caso Master e defendeu que o conteúdo seja amplamente esclarecido. A cobrança ocorre em meio a uma disputa interna no STF sobre procedimentos adotados nas investigações ligadas a Vorcaro.

A crise também levou o presidente a ampliar o discurso para o funcionamento do Poder Judiciário. Lula defendeu uma “reforma profunda”, com discussão sobre mandatos para ministros, critérios de escolha dos integrantes dos tribunais e regras relacionadas à atuação profissional de familiares de magistrados.

“É preciso criar critério de moralização do Poder Judiciário brasileiro”, declarou. A discussão sobre mudanças na estrutura das cortes entrou também na agenda do PT, que nos últimos dias passou a defender mandatos para integrantes dos tribunais superiores e alterações nos mecanismos de controle do Judiciário.