O Ceará tenta redesenhar sua estratégia econômica em meio a uma agenda que combina crescimento com mudança de perfil produtivo. Em seminário da Academia Cearense de Economia (ACE), realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), o secretário Fábio Feijó, do Desenvolvimento Econômico, apresentou diretrizes que buscam ampliar a participação do estado no PIB nacional.
A fala central aponta para uma inflexão: menos foco no volume e mais na produtividade. Nas palavras do secretário, “produtividade é fazer mais com os mesmos recursos”, sintetizando a tentativa de alinhar crescimento a eficiência.
O diagnóstico parte de um dado recorrente: historicamente, o Ceará gravita em torno de 2% do PIB brasileiro. A equipe econômica sustenta que esse padrão começa a ser tensionado por novos investimentos, especialmente no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, onde contratos e obras indicam diversificação entre indústria tradicional, energia limpa e economia digital.
A projeção oficial é atingir cerca de 2,19% ainda este ano, movimento que, se confirmado, rompe a lógica de crescimento abaixo da média nacional. No horizonte mais amplo, o plano Ceará 2050 estabelece a meta de 4%, patamar proporcional ao peso populacional do estado.
O eixo mais visível dessa estratégia está na expansão da Zona de Processamento de Exportação do Ceará. Segundo Feijó, mais de R$ 200 bilhões já estão contratados, com destaque para o hub de hidrogênio verde e projetos de data centers, tratados como vetores de transformação industrial.
Outro ponto apresentado foi a criação de uma rota aérea de cargas vinculada à demanda tecnológica desses empreendimentos. A expectativa é que o fluxo de aviões cargueiros abra espaço para exportações no frete de retorno.

No campo institucional, o presidente da ACE, Sérgio Melo, provocou o debate ao afirmar que “o potencial do Ceará ainda não se reflete plenamente nos resultados”. Já o 1º vice-presidente da FIEC, Carlos Prado, destacou o papel da indústria e do Observatório da Indústria como suporte técnico às decisões.
A fase seguinte envolve transformar investimento em renda. Para isso, a Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará prevê rodadas de diálogo com o setor produtivo, coordenadas por Silvio Carlos, Brígida Miola e Vicente Ferrer, numa tentativa de converter o chamado “dinheiro novo” em efeitos concretos na economia real.




