A chegada do desembargador cearense Paulo Régis Machado Botelho ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reforçaa a presença do Ceará em um dos espaços mais estratégicos do Judiciário brasileiro. E o detalhe simbólico é que ele passa a dividir assento justamente com outra magistrada cearense: a ministra do TST, Kátia Arruda, que construiu sua trajetória na magistratura do Maranhão e também tomou posse como conselheira. “Unir os fios dessa grande tapeçaria de direitos fundamentais é uma grande tarefa, mas que o CNJ está apto e qualificado”, afirmou.
No discurso de posse, Paulo Régis fez questão de reforçar uma visão de Judiciário menos distante da população. Disse que o juiz não pode ser “inacessível e enclausurado” e defendeu um magistrado mais próximo da sociedade, sem abrir mão da independência e da imparcialidade. Em outro trecho, resumiu sua compreensão sobre a toga ao afirmar: “a magistratura é serviço, não é poder pelo poder”.
A fala dialoga diretamente com o momento vivido pelo próprio CNJ, cada vez mais voltado à gestão judicial, metas de produtividade e políticas públicas voltadas a grupos vulneráveis. Coube ao presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, destacar o papel coletivo da instituição, lembrando que as transformações do Judiciário passam pelo diálogo e pela pluralidade. “É renovação institucional, é o instante em que o colegiado se reabre ao futuro sem perder de vista o seu passado”, afirmou o ministro.
Com experiências diferentes, mas trajetórias ligadas ao Nordeste, Paulo Régis e Kátia Arruda chegam ao Conselho carregando uma vivência marcada pelas desigualdades sociais e pelas discussões sobre direitos fundamentais. Uma presença regional que reforça o peso da magistratura nordestina dentro da cúpula administrativa do Judiciário brasileiro.




