A entrega do título de Cidadão Cearense ao deputado Antônio Henrique (PSDB) teve aquele ar de cerimônia oficial, claro, mas foi além disso. No fundo, acabou virando um retrato da vida dele — dessas histórias que começam longe e vão se ajeitando com o tempo, até criar raiz em outro lugar.
Ele nasceu em Martins, no Rio Grande do Norte, e veio pra Fortaleza ainda menino, empurrado pela seca, como tanta gente. Não foi uma escolha fácil, nem romântica. Era necessidade mesmo. Anos depois, frequenta o plenário da Assembleia Legislativa cearense não mais como alguém tentando a vida, mas como deputado, um representante do povo que o acolheu. Dá um certo peso nisso, né?
O discurso dele seguiu por esse caminho mais pessoal. Falou da infância, das dificuldades, da gratidão. Não foi nada muito ensaiado, parecia mais conversa de quem lembra de onde veio. E isso, querendo ou não, bate com uma coisa bem comum por aqui: gente que chega de fora e, aos poucos, vai se misturando, criando laço, virando parte do lugar.
Quando a Assembleia entrega um título desses – iniciativa do deputado Claudio Pinho -, não é só sobre política. Tem um pedaço de reconhecimento ali que vai além do cargo. No caso do Antônio Henrique, é também sobre uma história que muita gente no Nordeste conhece de perto. Da feira, do corre do dia a dia, até chegar onde chegou.
No fim das contas, ele resumiu tudo numa palavra só: amor. “Quando chegamos aqui sentimos esse amor, sentimos esse carinho. A palavra é amor, amor pelas pessoas. E eu sou muito grato”, declarou.
Pode soar simples, até meio clichê, mas, do jeito que ele falou, parecia sincero. E talvez seja isso que ficou.




