As perguntas que não morreram com PC Farias

Livro de Xico Sá revisita falhas da investigação e levanta a hipótese de queima de arquivo.

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Nascido no Crato, formado no Recife e lapidado em redações importantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, o premiado jornalista Xico Sá retorna a um dos episódios mais nebulosos da política brasileira: a morte de PC Farias.

Em O Tesoureiro: o esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias, previsto para setembro, Xico reconstrói a trajetória do operador financeiro que ajudou a conduzir Fernando Collor ao Palácio do Planalto e se tornou personagem central do escândalo que abalou aquele governo.

Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, repercutida pelo Blog do Magno, do jornalista Magno Martins, o autor afirmou considerar mais plausível a hipótese de uma queima de arquivo. Para Xico, “tudo leva a crer” que teria ocorrido uma articulação envolvendo setores policiais e políticos.

A declaração confronta a versão oficial de que Suzana Marcolino matou PC e, em seguida, tirou a própria vida, em junho de 1996. O escritor sustenta suas dúvidas nas falhas da investigação inicial, entre elas a destruição do colchão e a adulteração da cena onde os corpos foram encontrados.

Xico também recorda as suspeitas que cercaram a morte de Elma Farias, mulher do ex-tesoureiro, dois anos antes. Nada disso, por si só, encerra o caso ou comprova uma nova versão. Mostra, contudo, por que o episódio continua atravessando décadas sem uma resposta capaz de convencer a todos.

Com passagem por grandes jornais e emissoras do País e atualmente integrante do ICL — Instituto Conhecimento Liberta, Xico Sá volta ao terreno da reportagem investigativa. Seu livro promete reacender perguntas antigas — justamente aquelas que a pressa em arquivar nunca conseguiu sepultar.

 

Xico Sá: “Creio que a tese mais correta, e tudo leva a crer, é que foi uma armação entre a polícia e a política para encobrir uma grande queima de arquivo”