A delicadeza de Soninha

Na despedida de Sônia Pinheiro, a lembrança da colega de escrita singular e convivência amável.

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Recebi com tristeza a notícia da morte de Sônia Pinheiro, nossa Soninha, na noite desta quinta-feira (15). Trabalhamos juntos no Diário do Nordeste e em O Otimista, e guardo dessa convivência uma lembrança que vai além da admiração profissional: Soninha era um doce de pessoa, sempre elegante, amável e delicada no trato.

Sua escrita tinha personalidade. As expressões em inglês e francês faziam parte de um estilo que o leitor reconhecia sem precisar conferir a assinatura. Ao longo de décadas, construiu uma das colunas mais longevas e prestigiadas do jornalismo cearense, reunindo acontecimentos sociais, política e economia numa conversa que conquistou gerações.

Soninha marcou época no colunismo social porque soube imprimir sua identidade ao trabalho. Em uma profissão que exige presença e capacidade de se renovar, manteve uma voz própria e uma relação duradoura com seus leitores.

Ao me despedir da colega, penso também na pessoa com quem tive a satisfação de dividir o ambiente de trabalho em dois momentos da vida. É essa lembrança que fica comigo: a grande profissional e a mulher gentil, cuja elegância aparecia tanto no texto quanto na maneira de tratar quem estava por perto.