O trabalho entra em um novo calendário

Promulgação abre transição para 40 horas semanais e exige reorganização das empresas.

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O fim da escala 6×1 saiu da disputa de discursos e entrou na Constituição. Promulgada pelo Congresso nesta sexta-feira (16), a mudança abre uma transição que afeta tanto o descanso dos trabalhadores quanto a organização das empresas.

A nova regra reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, e assegura dois dias de repouso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos. O calendário começa com a publicação da emenda: após dois meses, o teto cai para 42 horas; um ano depois dessa etapa, chega às 40 horas.

Na solenidade, Luiz Inácio Lula da Silva procurou responder às preocupações empresariais. “Ninguém quer que empresa quebre”, afirmou, ao defender que a discussão também considere o desgaste de quem trabalha com pouco descanso.

Para quem vive nessa rotina, a folga adicional abre espaço para a família, os estudos e os cuidados com a saúde. Para os empregadores, a transição exigirá rever escalas, dimensionar equipes e ajustar o funcionamento dos negócios.

A nove dias do segundo turno, a promulgação também tem peso eleitoral. Lula busca associar sua candidatura à medida, enquanto Flávio Bolsonaro, que vinha criticando a mudança, votou a favor do texto. A aprovação por 75 votos a 1 no Senado reuniu apoio para além da base governista.

Ao lado de Davi Alcolumbre e Hugo Motta, o presidente ainda defendeu o diálogo entre os Poderes. A implementação exigirá essa disposição para negociar: transformar a mudança constitucional em mais descanso depende de uma adaptação que preserve salários e permita às empresas reorganizar suas atividades.