Moraes usou TSE como braço investigativo, aponta reportagem

Folha de São Paulo revela produção de relatórios extraoficiais para medidas contra bolsonaristas no inquérito das fake news. Gabinete de Moraes refuta qualquer irregularidade.
Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil

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Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Uma reportagem publicada nesta terça-feira (13) pela Folha de S. Paulo trouxe à tona revelações preocupantes sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com o jornal, assessores do ministro teriam trocado informações fora dos trâmites legais, com o objetivo de produzir relatórios que fundamentassem decisões no inquérito das fake news, direcionado a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As informações divulgadas sugerem que o gabinete de Moraes, tanto no STF quanto no TSE, teria solicitado a produção de relatórios de forma extraoficial em pelo menos duas dezenas de casos. Esses relatórios, produzidos pelo setor de combate à desinformação do TSE, foram supostamente utilizados como base para decisões que resultaram em medidas como o bloqueio de redes sociais e intimações para depoimento à Polícia Federal.

A reportagem cita exemplos específicos, como o caso do jornalista Rodrigo Constantino. Mensagens trocadas via WhatsApp entre Airton Vieira, juiz instrutor e auxiliar de Moraes, e Eduardo Tagliaferro, então responsável pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, indicam que houve uma colaboração estreita entre os dois órgãos para monitorar as postagens de Constantino e outros bolsonaristas.

As mensagens revelam a preocupação do ministro com as publicações nas redes sociais que questionavam a lisura das eleições e atacavam ministros do STF. Em um dos diálogos, Vieira menciona que Moraes estaria “cismado” com o caso de Constantino, pressionando por uma revisão do relatório para incluir mais postagens.

Em resposta às alegações, o gabinete de Moraes afirmou que todos os procedimentos seguidos foram oficiais e regulares, destacando que as solicitações feitas ao TSE e outros órgãos foram devidamente documentadas e realizadas com o conhecimento da Procuradoria Geral da República (PGR).

A revelação dessas comunicações levanta questões sobre a transparência e a legalidade dos processos judiciais conduzidos no âmbito do inquérito das fake news. O caso deve gerar novos debates sobre os limites da atuação do Judiciário em questões relacionadas à liberdade de expressão e ao combate à desinformação.