Foto: Junior Pio
Montar uma chapa competitiva para enfrentar a base governista nas eleições de 2026. Esse é o desafio que a oposição no Ceará tenta superar, diante de um cenário de hegemonia que já dura quase duas décadas, sob a liderança dos ex-governadores Cid Gomes (PSB) e Camilo Santana (PT) e, atualmente, do governador Elmano de Freitas.
Em entrevista ao portal Etc., o deputado estadual Felipe Mota (União Brasil), uma das vozes mais atuantes do campo oposicionista, falou sobre os bastidores das articulações e os avanços do grupo.
“Estamos avançando a cada instante com programáticas diferentes, porque estamos trazendo os temas do dia e comparando os dados com o cenário nacional”, afirmou.
Segundo Felipe, o movimento de oposição tem se articulado de olho nas movimentações nacionais. Ele cita como exemplo a recente pesquisa da Quaest que aponta alta na reprovação do governo Lula, o que, segundo ele, impacta diretamente os estados administrados pelo PT.
“Estamos numa observação quase que 24 horas desses temas”, disse.
Felipe fala também com entusiasmo na negociação nacional em andamento para a fusão do União Brasil com o PP, que hoje é da base do governador Elmano. No estado, lembra Felipe, União Brasil, PL e parte do PDT já estão unidos no campo da oposição. A expectativa agora é atrair PSD e MDB, dois partidos que hoje, também, integram a base de Elmano, mas que podem mudar de lado, a depender do cenário nacional.
“Caso Bolsonaro não seja candidato e (o governador de São Paulo) Tarcísio de Freitas entre no jogo, acredito que PSD e MDB poderão estar com a oposição”, avaliou Felipe.
A costura nacional é complexa, mas tem reflexos diretos nas alianças locais.
“Veja São Paulo: o prefeito (da Capital) Ricardo Nunes, do MDB, pode ser o candidato a governador e apoiar Tarcísio ao Planalto. O vice dele é do PL, ligado ao Bolsonaro. Esse tipo de composição pode se repetir aqui no Ceará”, exemplificou.
Felipe Mota também mencionou nomes cotados para disputar cargos majoritários em 2026. O pai do deputado federal André Fernandes, Alcides Fernandes, é um deles.
“É um case de sucesso. André quase venceu a eleição em Fortaleza e tem recall. Mas precisa agregar apoio no interior”, destacou.
Apesar do entusiasmo com a união de forças, o deputado reconhece que há desafios internos.
“Tem muita gente boa querendo espaço e poucas vagas. PL quer vaga para o Senado, o União também, o PP idem. Vai ter que haver conversa”, ponderou.
Para ele, a solução passa por diálogo e maturidade política.
“Tem que ir para a mesa, sem cabeceira, para ninguém mandar. Pensar no Brasil e no Ceará”, resumiu.
A ideia de uma chapa pura do PL, inicialmente defendida por André Fernandes, já foi deixada de lado, segundo Felipe.
“Ele mesmo já sinalizou que entende a necessidade de compor. Ninguém ganha só”, disse.
Se conseguir manter a união, a oposição acredita que poderá montar a maior coligação em tempo de TV, fundo partidário e bancadas na Assembleia e na Câmara Federal.
“União Brasil tem quatro deputados federais, PL tem dois, PP tem três. Já somos dez. A meta é chegar a quinze ou dezesseis estaduais e dez ou onze federais”, projeta Felipe Mota.
A aposta está feita, mas o jogo ainda está longe de ser decidido. A oposição quer quebrar um ciclo de 18 anos de domínio governista. Para isso, precisará mais que intenção: vai precisar unir forças, ceder espaços e manter o foco no objetivo comum. Como diz o próprio deputado: “Não vai caber todo mundo no PL. Vai ter que dividir, unificar e construir uma alternativa forte”.




