Mobilização por anistia reúne líderes bolsonaristas em São Paulo

Com discursos contra o STF e defesa de presos do 8 de janeiro, manifestação destacou a figura de Débora dos Santos.
Bolsonaro em ato em SP

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Foto: Reprodução/Vídeo

A Avenida Paulista voltou a ser palco de uma manifestação de grande porte neste domingo (6). Milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro participaram de um ato em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A mobilização teve presença de líderes políticos de destaque, entre eles sete governadores, e adotou como símbolo o batom — em referência à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, acusada de pichar com batom a escultura “A Justiça”, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A manifestação começou por volta das 14h, com uma oração conduzida pela vereadora Priscila Costa (PL), de Fortaleza. O ex-presidente Jair Bolsonaro subiu ao trio elétrico ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que segurava um batom ao pedir “anistia humanitária”. A cena foi repetida por diversos manifestantes, com batons nas mãos, em roupas e até em versões infláveis.

“Só um psicopata para falar que aquilo que aconteceu no dia 8 de janeiro foi uma tentativa armada de um golpe militar”, discursou Bolsonaro.

Débora, que passou a cumprir prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, tornou-se uma espécie de símbolo do movimento. Ela responde a cinco acusações, entre elas golpe de Estado e dano ao patrimônio público. Sua condenação, com pena superior a 14 anos de prisão, ainda está em análise no STF.

O ato contou com a presença dos governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Junior (PR), Wilson Lima (AM), Ronaldo Caiado (GO), Mauro Mendes (MT) e Jorginho Mello (SC). Todos estiveram no palanque ao lado de Bolsonaro, que discursou por cerca de 25 minutos. No pronunciamento, defendeu sua conduta à frente do Executivo, criticou decisões do Supremo Tribunal Federal e comentou a possibilidade de disputar novamente a Presidência em 2026, embora esteja inelegível até 2030.

De acordo com levantamento feito com base em imagens aéreas, cerca de 45 mil pessoas participaram da manifestação. Faixas e cartazes pediam anistia aos presos pelos atos de janeiro, e um “varal de mártires” com fotografias de detidos foi montado ao longo da via. A trilha sonora do ato incluiu músicas criadas especialmente para o movimento, com letras que contestam a narrativa de tentativa de golpe.

Embora tenha mobilizado grande número de apoiadores, o projeto de lei que propõe a anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro ainda não tem data para ser votado. A proposta é defendida por parlamentares da base bolsonarista, mas depende de decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), para avançar.

A presença de governadores e a escolha de um símbolo como o batom deram ao ato contornos que vão além da pauta jurídica. A manifestação buscou reforçar a conexão entre lideranças políticas e uma base que segue mobilizada, mesmo mais de um ano após os episódios que motivaram as prisões.