Lula em Pequim: “Relação com a China nunca foi tão necessária”

Presidente brasileiro sela parceria com Xi Jinping, anuncia investimentos bilionários e defende paz na Ucrânia e em Gaza.

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (13), em Pequim, que a relação entre Brasil e China “nunca foi tão necessária”. Ao lado do presidente Xi Jinping, Lula defendeu a reforma de organismos internacionais, criticou o unilateralismo e reiterou a disposição conjunta por um comércio justo.

“Guerras comerciais não têm vencedores. Elas elevam preços, deprimem economias e corroem a renda dos mais vulneráveis”, declarou.

No encontro, os dois presidentes reafirmaram o alinhamento entre os países diante de disputas geopolíticas e econômicas globais. Lula reforçou que o Brasil apoia o princípio de “uma só China” e defendeu avanços no diálogo pela paz na Ucrânia e na Faixa de Gaza.

“Superar a insensatez dos conflitos armados também é pré-condição para o desenvolvimento”, afirmou. Xi Jinping compartilhou o discurso e apontou que “ninguém sai ganhando” com guerras comerciais.

Além da agenda política, a visita foi marcada pela assinatura de 20 protocolos de cooperação e o anúncio de R$ 27 bilhões em novos investimentos chineses no Brasil. Entre os destaques, estão a entrada da GAC no setor automotivo, a construção de um hub de energia renovável no Piauí pela CGN, a instalação de um parque industrial neutro em carbono pela Envision e a estreia da Mixue no país, com meta de gerar 25 mil empregos até 2030.

A delegação brasileira contou com 11 ministros, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e cerca de 200 empresários. A viagem à China foi precedida por passagem na Rússia, onde Lula se reuniu com Vladimir Putin e defendeu cessar-fogo na guerra. Em Pequim, a comitiva reforçou a estratégia de ampliar as exportações brasileiras e consolidar o país como parceiro preferencial em setores como agronegócio, tecnologia e infraestrutura.

De acordo com a ApexBrasil, foram identificadas cerca de 400 oportunidades para ampliar as relações comerciais com os chineses, especialmente no setor de carnes. Durante a missão, associações brasileiras inauguraram um escritório na capital chinesa para facilitar a negociação de produtos do agro.

As notas conjuntas divulgadas após o encontro reafirmam a intenção de Brasil e China de atuar pela reforma da ONU, aprofundar as parcerias comerciais e enfrentar desafios comuns como segurança alimentar e mudanças climáticas.