Pressão alta: a doença silenciosa que afeta 3 em cada 10 brasileiros

Maioria dos casos não apresenta sintomas no início, mas pode levar a infarto, AVC e insuficiência renal.

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Fotos: Divulgação

Comemorado em 17 de maio, o Dia Mundial da Hipertensão marca uma oportunidade para ampliar o debate sobre uma condição que atinge cerca de 30% da população adulta brasileira e pode evoluir sem qualquer sintoma por anos. De acordo com a cardiologista Poliana Requião, “a hipertensão é silenciosa e, em muitos casos, o diagnóstico só vem quando há alguma complicação”.

Estudos indicam que, entre pessoas com mais de 60 anos, o índice de hipertensos pode chegar a 60%. O envelhecimento é um dos principais fatores de risco, mas a condição também aparece em adultos jovens e até em crianças.

“A pressão alta não escolhe idade. A diferença é que, quanto mais cedo surge, maiores as chances de impactos ao longo da vida”, afirma Poliana.

A doença, caracterizada pelo endurecimento progressivo das artérias, afeta o bom funcionamento do coração, rins, cérebro e olhos. No coração, por exemplo, pode causar aumento do órgão e levar à insuficiência cardíaca. Também está associada a infartos, AVCs e perda da função renal.

“Segundo dados oficiais, mais de 380 brasileiros morrem por dia em decorrência direta ou indireta da hipertensão”, alerta a médica.

Boa parte dos pacientes não sente nada nos estágios iniciais, o que torna a aferição regular da pressão arterial uma medida indispensável. Quando aparecem, os sintomas podem incluir dor de cabeça, tontura, náusea, alterações na visão e cansaço excessivo.

“Se há histórico familiar, é preciso ficar ainda mais atento”, ressalta a cardiologista.

Medir a pressão periodicamente pode fazer a diferença – Foto: Sesa/PR

Além do acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida são decisivas para o controle da pressão. A nutricionista Anete Mecenas destaca a dieta DASH como uma das principais referências nesse cuidado.

“Trata-se de um padrão alimentar baseado em frutas, legumes, verduras, grãos integrais, oleaginosas e laticínios com baixo teor de gordura. Tudo isso com pouca ingestão de sal e produtos ultraprocessados”, explica.

A alimentação saudável, associada à prática de atividade física e ao controle do peso, forma a base da prevenção. Atualmente, mais da metade da população brasileira apresenta excesso de peso, o que aumenta a incidência de hipertensão.

“Pacientes com obesidade entre 40 e 45 anos, por exemplo, frequentemente já convivem com a pressão alta”, pontua Anete.

O controle adequado da hipertensão passa por medidas simples, mas que exigem constância: medicação correta, revisões periódicas e atenção aos hábitos diários. Como destaca Poliana Requião, “a chave é não esperar pelos sintomas. A hipertensão pode ser silenciosa, mas suas consequências, não”.

(Com informações da Agência Brasil)