Roberto Cláudio: um experimento político em curso

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Foto: Divulgação 

A política brasileira é um terreno fértil para fenômenos que desafiariam qualquer manual clássico de ciência política. O movimento recente de Roberto Cláudio é um exemplo emblemático. Ao anunciar a saída do PDT e, no mesmo dia, se reunir com Jair Bolsonaro, o ex-prefeito de Fortaleza crava, sem rodeios, sua mudança de endereço ideológico: do campo progressista, onde construiu sua trajetória, para a direita conservadora.

Não se trata de uma simples aliança pontual, daquelas feitas para garantir governabilidade. É, ao que tudo indica, uma migração completa de espectro. Algo que, em democracias consolidadas, seria no mínimo traumático, se não politicamente inviável. Mas aqui é Brasil, onde boa parte do eleitorado não se identifica nem com partidos, nem com ideologias.

Essa fluidez — para não dizer liquidez — permite cenas como a do eleitor que, em 2022, apertou 13, depois 22, 4444 e 22123, numa “suruba ideológica” que vai da esquerda ao bolsonarismo raiz. E é justamente essa lógica que permite a certos políticos transitarem de um lado ao outro sem maiores arranhões.

Ainda assim, o cenário está mudando. A polarização política tem consolidado bases mais ideológicas nos dois polos, especialmente em nível nacional. E isso pode, gradualmente, tornar menos viável esse tipo de travessia eleitoral descomprometida. Quem vai regular esse novo ambiente? O eleitor.

Nesse sentido, a candidatura futura de Roberto Cláudio — seja a que cargo for — será um teste interessante. Vai conseguir levar com ele antigos eleitores de perfil progressista? Ou será abraçado pela nova casa, que o recebe com festa hoje, mas cujos eleitores ainda não o conhecem de perto? Em 2026, saberemos.