Fortaleza envelhece: cresce o alerta para manutenção e segurança dos prédios antigos

A presidente do Sindicato dos Engenheiros do Ceará alerta: a negligência com a manutenção predial virou regra, não exceção.

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Foto: Arquivo

Com grande parte dos prédios construídos entre as décadas de 1970 e 1990, Fortaleza vive um momento crítico que exige atenção de moradores, síndicos e poder público. O envelhecimento das edificações, aliado à falta de manutenção adequada, coloca em risco não apenas os imóveis, mas também a segurança de quem vive ou trabalha neles.

De 2021 a 2023, a capital cearense registrou 67 interdições de prédios por problemas estruturais. Levantamento mostra que cerca de 69% dos edifícios vistoriados nesse período não possuíam o Certificado de Inspeção Predial (CIP), documento que atesta a segurança da edificação com base em um laudo técnico. Os números escancaram uma realidade preocupante: a negligência com a manutenção predial virou regra, não exceção.

Para a engenheira Teodora Ximenes, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Ceará (Senge-CE), o quadro é alarmante.

“Os prédios verticais estão cada vez mais sem manutenção e sem as devidas inspeções prediais exigidas por lei. Isso nos preocupa bastante”, afirma.

Entre os sinais mais comuns de deterioração estão infiltrações, trincas, ferragens expostas e queda de pastilhas das fachadas — estas últimas, com risco real de causar acidentes. Segundo a presidente do Senge, edificações com mais de cinco anos já devem passar por inspeção técnica. E, em caso de qualquer sinal de problema estrutural, o intervalo entre as vistorias precisa ser ainda menor.

Inspeção predial: uma obrigatoriedade prevista em Lei – Foto: BHG Engenharia

A legislação municipal já prevê essa obrigatoriedade. A Lei nº 9.913/2012, regulamentada em 2015, determina que síndicos ou proprietários contratem profissionais habilitados para elaborar o Laudo de Vistoria Técnica (LVT), etapa que precede a emissão do CIP. Mas, na prática, o cumprimento da lei ainda engatinha.

“Falta fiscalização. A lei está em vigor, mas a ausência de um sistema efetivo de controle e monitoramento das inspeções compromete a sua eficácia”, avalia Teodora. Segundo ela, a plena implementação da política depende de vontade política para garantir não apenas a exigência, mas também o acompanhamento técnico dos laudos e a responsabilização por descumprimentos.

Teodora Ximenes, presidente do SENGE-CE / Divulgação

Diante desse cenário, a inspeção predial surge como ferramenta essencial para evitar tragédias anunciadas. É um diagnóstico preventivo que pode identificar problemas ocultos, reduzir custos de reparos futuros e, principalmente, salvar vidas. Em uma cidade que cresce verticalmente e carrega décadas de história em concreto armado, o cuidado com as estruturas deve ser permanente.