Fotos: Ascom/FIEC
Diante do anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a intenção de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) convocou uma reunião emergencial com representantes dos setores mais afetados para discutir caminhos conjuntos. O encontro contou com a presença de empresários, executivos e dirigentes sindicais, além da equipe econômica da própria FIEC.
A medida, ainda sem ordem executiva formalizada, gera incerteza, mas já acendeu o sinal de alerta entre os exportadores cearenses. Isso porque mais da metade das exportações do estado têm os Estados Unidos como destino, sendo o aço o principal item da pauta — produto que está no centro da nova política tarifária americana.
“O impacto tende a ser diferente em cada cadeia produtiva, mas o desafio é comum. Precisamos de uma resposta articulada, técnica e rápida”, afirmou o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante. A proposta é elaborar uma agenda de encaminhamentos que envolva os governos estadual e federal, combinando diplomacia, inteligência de dados e apoio institucional.
Segundo levantamento apresentado durante o encontro, o Ceará exportou cerca de US$ 556,7 milhões aos EUA no primeiro semestre deste ano, o segundo maior valor desde 1997. Desse total, 76% correspondem a produtos semimanufaturados de aço — como placas e ligas metálicas. Com isso, o estado lidera, proporcionalmente, as exportações brasileiras com destino ao mercado americano.

A concentração, no entanto, representa também uma vulnerabilidade.
“Essa dependência torna o setor especialmente exposto às mudanças de política comercial dos EUA. Precisamos acelerar a diversificação dos mercados e insumos”, alertou o economista-chefe da FIEC, Guilherme Muchale, responsável pela apresentação dos dados.
Representantes de empresas como ArcelorMittal, Aeris, Usibras, Grendene, Duramental, além de sindicatos da carnaúba, mármore, calçados e pescado, participaram do debate. Entre os encaminhamentos propostos estão o uso intensivo das ferramentas do Observatório da Indústria Ceará, centro de dados da FIEC, e a articulação com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para pressionar por soluções diplomáticas.
A FIEC também pretende demonstrar, com base em evidências, que a imposição de tarifas pode gerar efeitos colaterais indesejados para setores industriais dos próprios Estados Unidos que dependem de matérias-primas brasileiras.
A mensagem central da reunião foi clara: agir antes da tempestade. Mesmo sem a tarifa ainda estar em vigor, os empresários cearenses decidiram antecipar o debate para evitar impactos severos na atividade econômica e nos empregos. A expectativa agora é de que o movimento ganhe amplitude nacional e ajude a construir uma resposta institucional sólida a um cenário internacional cada vez mais imprevisível.




