Foto: Daniel Torok / Casa Branca
Os Estados Unidos oficializaram nesta quarta-feira (30) a aplicação de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a alíquota total para 50%. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump, entra em vigor em sete dias e é a mais alta entre as anunciadas recentemente contra países que exportam para o mercado americano.
O decreto publicado pela Casa Branca afirma que o Brasil representa uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA. Sem mencionar dados do comércio bilateral, o texto acusa autoridades brasileiras de interferir em empresas e cidadãos norte-americanos, violar direitos humanos e restringir a liberdade de expressão.
A ordem executiva cita nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atribuindo a ele a perseguição de opositores, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de suposta coerção contra companhias dos EUA, incluindo congelamento de ativos. Trump também alerta que as tarifas poderão ser ampliadas caso o Brasil adote medidas de retaliação, mas admite revisão da decisão se o governo brasileiro “se alinhar” aos interesses de Washington em temas de segurança e política externa.
O tarifaço atinge setores relevantes da economia brasileira, como agronegócio, combustíveis e insumos industriais, com impactos estimados sobre o preço final de produtos como etanol, café, frutas, cacau, aço e carnes. No entanto, o decreto prevê exceções para determinados alimentos, minérios e itens de energia e aviação civil — fator que reduziu a tensão nos mercados. Após o anúncio das exceções, ações da Embraer subiram cerca de 10%, enquanto o dólar, que vinha em alta, recuou parcialmente.
O episódio aprofunda a tensão diplomática entre os dois países, que até então não haviam protagonizado uma disputa comercial dessa magnitude. Para analistas, a medida vai além do campo econômico e insere o Brasil em um contexto de disputa política internacional, com o Judiciário brasileiro no centro da narrativa utilizada por Trump para justificar a ação.
O Itamaraty estuda alternativas para contestar a decisão em instâncias multilaterais, mas, até o momento, o governo brasileiro não anunciou uma resposta oficial à medida que poderá redesenhar relações comerciais estratégicas com os EUA.




