Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nesta quarta-feira (30) sobre as medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Além da tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, a Casa Branca também aplicou sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em publicação nas redes sociais, Lula classificou as ações como “interferência inaceitável na Justiça brasileira” e disse que o país não abrirá mão da soberania nacional.
“O Brasil é um país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes”, afirmou o presidente. Para ele, qualquer tentativa de enfraquecer o Judiciário “constitui ameaça ao próprio regime democrático”, ressaltando que “Justiça não se negocia”.
Lula também criticou a motivação política atribuída às medidas comerciais.
“O governo brasileiro considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras”, disse.
Segundo ele, o Brasil acumula “um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos”, e a decisão de Washington “atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países”.
O presidente ainda declarou solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes, alvo das sanções do Departamento do Tesouro norte-americano. Para Lula, a decisão foi influenciada por “políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses”.
O petista reiterou que o governo brasileiro seguirá disposto a negociar, mas não aceitará imposições externas.
“Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais. Já iniciamos a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras”, completou.
As declarações acontecem em um momento de tensão diplomática entre os dois países, com repercussões tanto no campo político quanto no econômico. O Brasil busca articulações internas e externas para mitigar os efeitos das tarifas e contestar as sanções contra o ministro do STF.
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