Governo lança pacote de R$ 30 bi para conter impacto do tarifaço dos EUA

Plano Brasil Soberano prevê crédito, incentivos fiscais e compras governamentais para preservar empregos e exportações.

Compartilhar

Facebook
Twitter
WhatsApp

Foto: José Cruz / Agência Brasil

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (13), o Plano Brasil Soberano, um pacote emergencial para amparar empresas brasileiras atingidas pela sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a diversos produtos nacionais. As medidas estão previstas em medida provisória com vigência imediata e incluem uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões, diferimento de tributos, ampliação de programas de ressarcimento e reforço em garantias à exportação.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o pacote é uma primeira resposta à medida norte-americana, que atinge setores como carnes, café, soja e algodão. O governo pretende priorizar empresas mais impactadas e de menor porte. Pequenas e médias poderão recorrer a fundos garantidores, que receberão aportes superiores a R$ 4,5 bilhões. O Reintegra — programa que devolve parte dos tributos a exportadores — terá alíquota ampliada até 2026, e o prazo do regime de drawback foi prorrogado por um ano.

“É uma leva de proposições que vão atenuar esse impacto inicial. Vamos ficar monitorando nossas exportações e o comportamento do mercado”, disse Haddad.

O plano também prevê que União, estados e municípios comprem, por 180 dias, parte dos produtos afetados, especialmente perecíveis, e condiciona o acesso ao crédito à manutenção de empregos, com regras a serem detalhadas.

“É um conjunto de medidas procurando atender o setor produtivo para garantir emprego, produção e abertura de mercado”, pontuou o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.

Na frente diplomática, o Executivo manterá negociações com Washington e buscará novos mercados, além de acionar mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A sobretaxa, decretada por Donald Trump em julho, excluiu apenas alguns itens como aeronaves, derivados de petróleo e castanha-do-pará, e foi justificada pelo governo norte-americano com argumentos de cunho político. Desde então, o Brasil tem intensificado reuniões com empresários para calibrar a resposta e minimizar impactos sobre produção e empregos.

Segue a tabela com os principais itens do Plano Brasil Soberano conforme anunciado:

Eixo / Medida Descrição Valor / Condições Prazo / Observações
Linha de crédito para exportadores Financiamento prioritário para empresas afetadas, especialmente as de menor porte Até R$ 30 bilhões via FGE Taxas acessíveis; condicionado à manutenção de empregos
Fundos garantidores Acesso facilitado a crédito para pequenas e médias empresas FGCE: R$ 1,5 bi; FGI: R$ 2 bi; FGO: R$ 1 bi Recursos imediatos
Reintegra Ressarcimento de parte dos tributos sobre exportações Grandes/médias: até 3,1%; micro/pequenas: até 6% Até dez/2026; impacto estimado de R$ 5 bi
Drawback Prorrogação do prazo para exportar mercadorias com insumos desonerados Mais 1 ano para operações previstas até o fim de 2025
Diferimento de tributos federais Adiamento do pagamento de impostos federais 2 meses
Compras governamentais União, estados e municípios podem comprar produtos afetados, especialmente perecíveis Até 180 dias
Modernização do FGE Cobertura de riscos e compartilhamento com setor privado R$ 30 bi do superávit do fundo Atende prioritariamente os afetados, mas vale para todo o setor exportador
Aportes em garantias à exportação Reforço no seguro para exportadores Inclui FGCE, FGI, FGO Operação imediata
Manutenção de empregos Condição para acesso ao crédito Regras serão definidas posteriormente
Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego Monitorar nível de emprego e propor ações de preservação Permanente
Abertura de novos mercados Atuação diplomática e na OMC Contínuo
Negociações com EUA Contato institucional para tentar reverter o tarifaço Em andamento