FIEC: ações contra tarifaço precisam de “celeridade” e ajustes

Entidade quer regulamentação ainda em agosto e compensações para setores já afetados pela sobretaxa de Donald Trump.

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Fotos: George Lucas

A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta na indústria cearense. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, comentou nesta quinta-feira (14) as medidas anunciadas pelo Governo Federal para tentar conter os impactos do chamado tarifaço de Donald Trump. Em coletiva, ele reconheceu avanços, mas apontou lacunas que, se não forem resolvidas com rapidez, podem deixar setores inteiros no prejuízo.

“Vou ganhar zero”

Cavalcante destacou que a principal demanda do setor era que o programa Reintegra fosse retroativo a janeiro deste ano, para garantir crédito tributário sobre as exportações realizadas até julho:

“O Reintegra, a nossa ideia, era que ele pudesse nos devolver de janeiro a julho o que a gente exportou para os Estados Unidos, como capital de giro… Mas, da forma como saiu, é daqui para frente. Então… vou ganhar zero”.

O que esperavam — 3,1% sobre o montante exportado —, hoje se resume a nada, uma vez que as vendas cessaram a partir de agosto. O resultado: “vou ganhar de quê? De zero”.

Avaliação das medidas e pontos de atenção

Embora Cavalcante tenha reconhecido a importância das ações anunciadas — como os créditos tributários de até 3,1% para grandes e médias empresas, e até 6% para micro e pequenas —, ele alertou que os textos ainda são “muito vagos” e carecem de regulamentação efetiva:

“A medida provisória só chegou na mão da gente lá para as 17 horas (de quarta). A gente… ainda está analisando porque tem coisas que vão ser regulamentadas, mas boa parte do que a gente solicitou saiu”.

Os prazos e detalhes da regulamentação são cruciais: Cavalcante reforçou que empresários trabalham com fluxo de caixa mensal e precisam que as definições ocorram ainda em agosto.

Ricardo Cavalcante falou à imprensa nesta quinta (14)

 

Clamor por medidas complementares

O dirigente destacou que esperava que o plano de contingência incluísse um mecanismo para compensar — mesmo que parcialmente — a sobretaxa de 50% imposta pelos EUA:

“Esperava que dentro do plano de contingência fosse anunciado o pagamento de pelo menos parte da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos para viabilizar as exportações…”.

Além disso, mencionou que setores como pescados, frutas, água de coco e castanha de caju ainda não foram contemplados por negociações estaduais, mas que iniciativas locais como compras pelo governo cearense (merenda escolar, hospitais, programas sociais) podem aliviar o impacto.

Caminho traçado: soluções setoriais e articulação federativa

A FIEC segue em ação conjunta com os setores produtivos (19 ao todo identificados como afetados), avaliando medidas específicas para cada cadeia, em diálogo com empresários e potenciais compradores locais.

Cavalcante insistiu na urgência:

“Celeridade é ponto-chave… empresários trabalham com recursos mês a mês. Por isso, seria muito importante que toda a regulamentação… ocorra ainda dentro deste mês de agosto”.

Mais que reagir, é preciso agir

A fala de Ricardo Cavalcante traduz a inquietação de quem sabe que a janela para evitar perdas maiores é curta. As medidas federais foram um passo, mas a recuperação — ou ao menos a contenção do dano — depende de ajustes rápidos, negociações firmes e ações coordenadas entre Brasília, governos estaduais e o setor produtivo. O recado está dado: o tarifaço já é realidade, e a resposta precisa ser tão ágil quanto o impacto que ele causa.

Abaixo a entrevista completa de Ricardo Cavalcante