Lewandowski: “uma das maiores operações da história contra o crime organizado”

Megaoperação expõe esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC em postos de combustíveis e fundos de investimento.

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Foto: José Cruz / Agência Brasil

Uma ação conjunta da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo desmantelou, nesta quinta-feira (28), o que as autoridades classificam como a maior operação da história do país contra a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. O alvo foi um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que usava postos, distribuidoras, refinarias, fintechs e fundos de investimento para movimentar recursos ilícitos.

O alcance da investigação

De acordo com as apurações, a facção utilizava mais de mil postos de combustíveis em dez estados, além de controlar cerca de 40 fundos de investimentos. Boa parte dos mandados foi cumprida em instituições localizadas na Avenida Faria Lima, em São Paulo, centro do mercado financeiro nacional.
No total, foram expedidos mandados de busca e apreensão contra 350 alvos, envolvendo 41 pessoas físicas e 255 empresas.

As apreensões incluem 141 veículos, R$ 300 mil em dinheiro vivo e o bloqueio judicial de R$ 1 bilhão em bens, entre eles 1.500 veículos, 192 imóveis, 21 fundos de investimento e duas embarcações.

Ações articuladas

A operação foi dividida em três frentes:

  • Quasar – investigou fundos de investimento usados para simular transações de compra e venda sem propósito econômico real, criando camadas de blindagem patrimonial.

  • Tank – mirou um esquema que teria movimentado mais de R$ 23 bilhões com uso de postos de combustíveis, distribuidoras e holdings. Nessa fase, foram cumpridos 14 mandados de prisão e identificados 46 postos em Curitiba adulterando combustível e praticando a chamada “bomba baixa”.

  • Carbono Oculto – conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, focou em operações financeiras ocultas por meio de empresas do setor.

Ao todo, 1.400 agentes participaram das ações em sete estados.

Reação do governo

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que a megaoperação atinge “o poder econômico das facções criminosas” e representa um marco na cooperação entre órgãos federais e estaduais. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, as investigações chegaram “ao andar de cima do sistema”, revelando como organizações criminosas têm usado instrumentos do mercado financeiro formal para lavar dinheiro.

“Estamos desmantelando a refinaria do crime”, disse Haddad, destacando que o setor de combustíveis foi escolhido por apresentar indícios mais visíveis de irregularidades.

O desafio da infiltração legal

As autoridades ressaltaram que a ação vai além da repressão tradicional ao tráfico e ao contrabando, ao atacar estruturas empresariais que dão aparência legal ao dinheiro ilícito. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, explicou que o esquema estava disponível “a toda sorte de criminosos, de sonegadores a traficantes de armas”.

A operação, segundo o governo, inaugura um novo modelo de enfrentamento ao crime organizado: menos focado apenas na repressão direta e mais voltado a atingir as engrenagens financeiras que sustentam as facções.