Fortaleza Sem Fome: a logística que leva alimento onde falta o básico

Programa distribui 53 mil sopas por mês com rotas diárias, monitoramento de qualidade e atenção nutricional.

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Combater a insegurança alimentar em uma cidade de 2,7 milhões de habitantes exige mais do que boa vontade. É preciso planejamento, organização e logística. É nesse ponto que o Fortaleza Sem Fome, lançado no início de setembro pela Prefeitura, ganha força: todos os dias, de segunda a sexta, seis veículos circulam por diferentes bairros levando galões de sopa produzidos no Sesc RioMar até entidades credenciadas para a distribuição.

A operação tem uma rotina cronometrada. A produção começa no fim da manhã, logo após o almoço servido no restaurante do Sesc. Sob a supervisão da nutricionista Roseli Souza Felix, os caldeirões de 350 litros recebem proteínas, carboidratos, legumes e temperos que garantem equilíbrio nutricional. Por volta de 13h30, a sopa está pronta. Em seguida, é envasada e armazenada até a chegada dos motoristas responsáveis pelo transporte.

Às 15h, quando os galões são carregados nas vans, inicia-se a segunda etapa: a rota do alimento até associações comunitárias, igrejas e organizações sociais espalhadas pela cidade.

“O processo é o mesmo todos os dias. Saímos do Sesc com os galões cheios e recolhemos os vazios. Assim, conseguimos cumprir os horários e manter a organização”, explica Írio Pereira, ajudante de um dos veículos.

Chegando ao destino, a cena se repete: filas formadas, expectativa e, principalmente, alívio. Cada embalagem de meio litro de sopa representa mais do que uma refeição — é a segurança de que, ao menos naquele dia, haverá comida na mesa. A aposentada Tônia Maria Martins, moradora do Jardim das Oliveiras, resume: “O custo de vida está difícil. Meu marido está desempregado. Essa sopa é uma ajuda que faz diferença”.

Filas enormes para receber a sopa – Foto: Kiko Silva

Para garantir a segurança alimentar, colaboradores das instituições parceiras receberam treinamento em boas práticas de manipulação de alimentos. Monitores do programa acompanham as entregas, verificando higiene, uso de equipamentos de proteção e qualidade da refeição servida.

O programa, que já distribui cerca de 53 mil sopas por mês, é parte do Plano Fortaleza Inclusiva e mira famílias em vulnerabilidade social — crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas em situação de rua e pessoas com deficiência. A meta é ampliar a cobertura a partir de 2026, inspirado na experiência do Ceará Sem Fome, que hoje serve 130 mil refeições diárias em todo o estado.

Seja pela logística rigorosa, pela atenção nutricional ou pela rede de parcerias que sustenta a iniciativa, o Fortaleza Sem Fome mostra que enfrentar a fome exige mais que solidariedade: requer um sistema que funcione todos os dias, como um elo que conecta cozinha, transporte e comunidade.

“Uma política pública que atende diretamente às comunidades e às famílias em situação de vulnerabilidade. Vamos trabalhar para ampliar o programa até chegarmos a todos os fortalezenses que precisam”, afirmou o prefeito Evandro Leitão, durante o lançamento.