O descuido com um dos mais simbólicos marcos da história e da cultura de Fortaleza voltou ao debate público. Reportagem publicada pelo jornal O Povo nesta quarta-feira (22) – veja aqui – chama atenção para o estado de abandono e os atos de vandalismo que atingem o Monumento a José de Alencar, localizado no Centro da capital cearense.
O presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), jornalista Eliezer Rodrigues, considera “auspiciosa” a publicação, por levantar “questões sobre a falta de manutenção dos bens públicos edificados em Fortaleza”. Para ele, o texto “centraliza no desprezo e na incúria que sofre, há anos, o mais belo conjunto arquitetônico da cidade: a homenagem escultural ao escritor cearense José de Alencar”.
Eliezer, no entanto, faz uma ressalva à reportagem.
“O texto traz uma informação infundada, quando afirma que entre as melhorias realizadas na mais recente revitalização da Praça José de Alencar, concluída em dezembro de 2020, estavam a restauração da estátua. Segundo o texto, a estátua de José de Alencar recebeu limpeza especial no bronze. Nada disso. Aquilo foi uma aberração, a perpetração de crime cometido contra uma obra de arte — passaram uma mão de tinta amarelo ouro sobre a estátua. Absurdo! O monstrengo continua lá.”
O jornalista defende que, em uma nova intervenção, a Prefeitura de Fortaleza contrate técnicos especializados em restauração de peças artísticas, de modo a evitar novos danos ao patrimônio.
Criado pelo escultor Humberto Cozzo, o monumento foi inaugurado em 1929, fruto de uma campanha organizada pela própria ACI, sob liderança do então presidente Gilberto Câmara. A obra integra um dos conjuntos arquitetônicos mais emblemáticos da capital e simboliza o reconhecimento do povo cearense a um dos maiores nomes da literatura brasileira.
Mais do que um símbolo de bronze e pedra, o monumento a José de Alencar representa um elo entre a cidade e sua memória cultural. Permitir que ele se degrade é negar parte da identidade de Fortaleza. A restauração do conjunto não é apenas uma demanda estética, mas um ato de respeito à história — e à arte que traduz o orgulho de ser cearense.




