A política brasileira tem o dom de surpreender até os mais céticos. Em um mesmo dia, Ciro Gomes conseguiu selar a paz com Capitão Wagner, antigo alvo de suas críticas mais duras, e reabrir feridas dentro de casa, com novas declarações contra o irmão, senador Cid Gomes. O contraste entre reconciliação e ruptura parece traduzir bem o momento de um político que tenta se reposicionar no tabuleiro.
Ciro, que por anos chamou Wagner de “miliciano” e o responsabilizou pelos motins da Polícia Militar, agora o descreve como alguém “de boa-fé”. Do outro lado, Wagner encerra processos e agradece o gesto, numa trégua que, se não significa aliança definitiva, ao menos reduz a temperatura da oposição cearense.
Mas o gesto conciliador rapidamente perdeu espaço diante das críticas ao PSB, partido de Cid, a quem Ciro associou ao “regime mais corrupto da história do Ceará”. A resposta veio em nota da bancada socialista, exaltando a “grandeza e espírito público” do senador.
Apesar de ainda chocar algumas pessoas, essas reviravoltas nos relacionamentos entre políticos são comuns na política brasileira. Os eleitores, de certa forma, aprenderam a conviver — e até respaldar — esse festival de incoerências. No caso dos irmãos Ferreira Gomes, a relação política vai ganhando contornos de algo difícil de recompor, ao menos no curto prazo.




