Crédito sem juros vira alternativa para quem vive da informalidade no Ceará

Novo programa estadual busca aliviar o principal gargalo dos microempreendedores: acesso a financiamento em condições viáveis.

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A informalidade, realidade permanente para milhões de brasileiros, costuma vir acompanhada de um obstáculo que se repete de norte a sul do país: acessar crédito. Para quem trabalha por conta própria, muitas vezes sem garantias formais ou histórico bancário, a busca por financiamento termina em juros altos, exigências difíceis de cumprir ou simples negativa das instituições financeiras. No Ceará, essa barreira afeta desde pequenos prestadores de serviço até microempreendedores que tentam transformar atividades domésticas em fonte estável de renda.

Diante desse cenário, o Governo do Estado lançou, nesta quinta-feira (11), o Dinheiro na Mão, programa que propõe uma saída direta para o gargalo do financiamento: empréstimos com juros subsidiados — na prática, juros zerados para quem paga em dia. Ao apresentar a iniciativa, o governador Elmano de Freitas afirmou que a medida nasce justamente da dificuldade enfrentada por quem tenta formalizar ou ampliar pequenos negócios.

“A economia cearense tem um conjunto de pessoas que atuam como MEI, mas que possuem dificuldade para colocar seu negócio. Entendemos que uma das maiores barreiras é a taxa de juros”, explicou.

Dinheiro na Mão: empréstimos com juros subsidiados – Foto: Helene Santos

Pelo modelo, as instituições financeiras concedem o crédito e o Estado cobre os juros das parcelas pagas sem atraso. O limite é de R$ 21 mil por operação, com prazos que variam entre quatro e doze meses. Se houver atraso, o subsídio do mês é perdido. O programa prioriza mulheres empreendedoras e pessoas atendidas por programas sociais.

O secretário do Trabalho, Vladyson Viana, reforçou que a iniciativa segue diretrizes do microcrédito produtivo orientado, que inclui acompanhamento ao beneficiado. “A partir do cadastro, os clientes irão para a esteira de atendimento das instituições financeiras. Com a adimplência, o Governo faz o ressarcimento dos juros. Nossa meta é chegar a 100 mil atendimentos por ano”, afirmou.

O Banco do Nordeste é o primeiro parceiro do Dinheiro na Mão, com previsão de destinar R$ 300 milhões anuais. A superintendente Eliane Brasil lembrou a experiência da instituição com o CrediAmigo: “É uma alegria imensa aderir a esse programa. Sei que o Dinheiro na Mão vai ajudar muita gente.”

Um edital será publicado no Diário Oficial para credenciar outros bancos interessados. O cadastro dos empreendedores já está disponível no portal oficial do programa.