A abertura do calendário acadêmico da Escola Judicial do TRT do Ceará foi marcada por um debate sobre os efeitos da tecnologia no sistema de Justiça. Magistrados, advogados, servidores e estudantes lotaram o auditório para a aula magna “Desafios e funções do Direito na era digital”, conduzida pelo jurista André Ramos Tavares.
Na abertura, a presidente do tribunal, desembargadora Fernanda Uchôa, afirmou que a formação continuada é parte da responsabilidade institucional do Judiciário.
“Mais do que marcar o início das atividades formativas, este evento simboliza o compromisso permanente do Poder Judiciário com a reflexão crítica, o aprimoramento institucional e o diálogo aberto com a sociedade”, afirmou a magistrada.
Professor da Universidade de São Paulo, Tavares tratou da chamada Quarta Revolução Industrial e das rupturas provocadas por plataformas digitais, inteligência artificial e novas formas de organização econômica. Para o palestrante, os conflitos surgidos nesse ambiente chegam primeiro aos tribunais, exigindo dos operadores do Direito preparo técnico e compreensão interdisciplinar.
“O Judiciário é provocado a responder a transformações que não existiam há poucos anos. É preciso entender como funcionam esses novos modelos globais para decidir com segurança”, destacou.
No encerramento, o diretor da Escola Judicial, desembargador Paulo Régis Machado Botelho, chamou atenção para os limites do avanço tecnológico. Ele defendeu que a inovação não pode afastar o foco no ser humano, sob risco de reduzir pessoas a números dentro de sistemas automatizados.
“É uma reflexão que nos ajuda a perceber o que está se passando no mundo digital e no mundo do Direito”, pontuou.
A discussão reforçou um ponto comum entre os participantes: tecnologia e Direito caminham juntos, mas a proteção de direitos fundamentais deve permanecer como referência central.




