Aos 132 anos, a Academia Cearense de Letras decidiu olhar para o futuro de Fortaleza recorrendo ao que a cidade guarda de mais valioso: a própria memória. No próximo dia 20 de agosto, o Palácio da Luz abre as portas para um projeto que combina fotografia, literatura, história e reflexão sobre os 300 anos da Capital.
O ponto de partida será a exposição “Fortaleza Antiga”, com 48 imagens de diferentes acervos, entre eles o do pesquisador Nirez Azevedo e o da família Boris. Mais do que uma sequência de fotografias antigas, a mostra permite observar como ruas, costumes e paisagens foram sendo redesenhados pelo tempo.
A curadoria é da escritora Fernanda Quinderé, e a exposição permanecerá aberta até outubro. Na estreia, a memória ganha também voz: Juarez Leitão apresentará a palestra “Fortaleza Hilária”, primeira do ciclo “Fortaleza em Perspectiva”.
O projeto seguirá por setembro e outubro, com participações de Batista Lima e Ricardo Guilherme, abordando a cidade pela literatura e pelas artes cênicas.
A programação reserva ainda espaço para novos autores. O Prêmio Artur Eduardo Benevides – Poesia de Fortaleza distribuirá R$ 9 mil entre três trabalhos vencedores, numa tentativa de estimular não apenas a lembrança da cidade que passou, mas também a escrita sobre a cidade que existe hoje.
Ao final, parte desse material será reunida em um livro de 120 páginas, sob coordenação de José Augusto Bezerra.
Há uma boa coincidência nisso tudo. Quando uma instituição que atravessou mais de um século resolve celebrar os três séculos de uma cidade, o passado deixa de ser apenas arquivo. Torna-se conversa com o presente.
Foto: André Gorki/FBTV




