A ressaca das urnas

Embate envolvendo Ciro, Cid e Wagner expõe a dificuldade de baixar a temperatura após a eleição.

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A eleição terminou, mas parte da política cearense continua no palanque.

Ciro Gomes contesta a vitória de Elmano de Freitas; Cid Gomes cobra elegância do irmão;
e Capitão Wagner entra na discussão com insultos e novas acusações.

O resultado é uma ressaca eleitoral que pouco ajuda a esclarecer o que está sendo questionado.

Ciro pode recorrer à Justiça e contestar decisões que considera prejudiciais à sua campanha.

Mas afirmar “fomos roubados” exige provas: a gravidade da acusação não permite atalhos.

Decisões sobre propaganda podem ser discutidas; sua existência, por si só, não comprova fraude.

Cid defendeu o reconhecimento da vitória, mas temperou o conselho com o “direito de espernear”.

A ironia pode render repercussão, embora pouco contribua para baixar a temperatura entre os irmãos.

Já Wagner, ao responder com palavrões e ataques pessoais, empobrece o debate.

E, no caso dele, até surpreende, nunca tive notícia de destempero semelhante do Capitão..

Acusações de compra de votos precisam de apuração, não ganham consistência pelo volume da voz.

Há espaço para uma oposição firme, para recursos e para fiscalização do próximo governo.

O que falta, neste momento, é transformar indignação em argumentos verificáveis.

O eleitor merece saber quais fatos sustentam a contestação e o que se pretende fazer a partir deles.

A democracia comporta o inconformismo; a responsabilidade pública exige provas e respeito.