Acrísio: regular redes é defender a democracia, não censura

Deputado rebate acusações e diz que ambiente digital precisa de limites para combater discurso de ódio e desinformação.

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Foto: Júnior Pio

Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa do Ceará, nesta quarta-feira (4), o deputado estadual Acrísio Sena (PT) defendeu a necessidade de o Brasil avançar na regulação das redes sociais, a exemplo do que já ocorre em países como Inglaterra, França, Alemanha e Austrália. Segundo ele, o objetivo é combater a disseminação de discursos de ódio e conteúdos discriminatórios que, em sua visão, têm se espalhado sem qualquer controle.

A fala do parlamentar teve como ponto de partida um artigo publicado na imprensa nacional, intitulado “Big Techs e Bolsonaro armam exército digital para 2026”, que aborda a articulação do ex-presidente Jair Bolsonaro com empresas de tecnologia e influenciadores digitais de direita. O texto destaca, entre outros pontos, um recente encontro realizado no Centro de Eventos do Ceará, que reuniu apoiadores, jovens ativistas e profissionais da área de comunicação.

Para Acrísio, a mobilização promovida pelo ex-presidente e seus aliados vai além da organização partidária tradicional.

“Não foi um seminário de comunicação, foi uma aula prática de como transformar um partido político em base operacional de uma milícia digital”, afirmou o deputado, citando a presença de Jair e Michelle Bolsonaro no evento.

O parlamentar alertou para o que considera uma estratégia coordenada de formação de jovens para atuação nas redes sociais, sem fiscalização ou responsabilização pelo conteúdo disseminado.

“Está em curso uma espécie de lavagem cerebral de segmentos da juventude”, avaliou.

Acrísio também contestou as acusações de que discutir regulação seria promover censura.

“Estamos falando de uma política preventiva e democrática. É preciso garantir que o ambiente digital não seja terra sem lei”, pontuou. Ele defendeu que a internet não pode ser usada como plataforma para discursos racistas, machistas, homofóbicos e antidemocráticos, sem consequências legais.

O debate sobre regulação das redes sociais tem ganhado espaço no Congresso Nacional e na sociedade civil, dividido entre preocupações com a liberdade de expressão e a urgência de responsabilização pelas consequências do discurso digital.