Aldigueri: “Cid Gomes é o que quiser”

Declarações reforçam protagonismo de Cid e adiamento de definições no campo governista.

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Um dos principais personagens do grupo que detém a hegemonia política no Ceará, o presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri (PSB), postou em seu perfil nas redes sociais (veja abaixo) um pronunciamento que põe em evidência a importância de Cid Gomes na engenharia eleitoral do grupo.

A declaração de Aldigueri, não apenas reafirma apoio ao senador, como explicita uma estratégia política: manter aberta, até o limite, a definição sobre o papel do parlamentar na chapa governista.

Ao dizer que Cid Gomes é o que quiser”, Aldigueri sinaliza flexibilidade. Por outro lado, também revela o peso da decisão do senador para o fechamento da chapa. Trata-se de um movimento que, ao mesmo tempo em que valoriza o capital político do senador, prolonga a indefinição sobre a composição eleitoral.

Esse cenário ganha relevância porque Cid Gomes não tem adotado uma posição linear. Nos últimos anos, reiterou o desejo de não disputar novos cargos e chegou a sugerir o nome do deputado federal Junior Mano como alternativa ao Senado. Esse gesto foi interpretado como tentativa de renovação interna, mas não encerrou o debate.

Por outro lado, o ambiente político mostra um movimento inverso. Lideranças governistas, de diferentes níveis, têm manifestado preferência pela permanência de Cid no Senado. A justificativa é pragmática: sua experiência e capacidade de articulação são vistas como ativos relevantes para a continuidade do projeto liderado, hoje, pelo governador Elmano de Freitas, com influência direta do ministro Camilo Santana.

A fala de Aldigueri também revela outro ponto: a tentativa de evitar rupturas internas. Ao admitir que Cid pode ocupar qualquer posição — ou até nenhuma —, o discurso busca acomodar interesses e reduzir tensões dentro da base. É uma forma de preservar unidade enquanto a decisão final não é tomada.

Ainda assim, a indefinição tem efeitos. Em um cenário eleitoral competitivo, a demora na consolidação de nomes pode dificultar o planejamento estratégico e a organização das alianças. Ao mesmo tempo, manter o nome de Cid Gomes em aberto também funciona como ativo político, já que amplia o poder de negociação do grupo.

O próprio senador já indicou que pode reconsiderar sua posição diante do apelo de aliados, mas sem assumir compromisso. Esse comportamento mantém o equilíbrio entre recuo e possibilidade de retorno, sem fechar portas.

No conjunto, o episódio expõe uma dinâmica comum na política: a coexistência entre projetos coletivos e decisões individuais. No caso do Ceará, a escolha de Cid Gomes tende a ter impacto direto não apenas na chapa governista, mas no desenho mais amplo da disputa eleitoral.